Enfermeiros criam aplicativo para promoção da saúde de deficientes auditivos

“Saúde em Libras” ganhou em primeiro lugar na competição do edital do Conselho Regional de Enfermagem de SP (Coren)

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Enfermeiro é o profissional da saúde que acompanha e cuida dos pacientes, prestando todo tipo de assistência e cuidado. 
 
A vicentina Suzana Perandré Silveira, nascida e criada na Vila Valença, e o colega de classe Gabriel Oliveira Silverio, ambos recém graduados no curso de enfermagem pela Universidade São Judas (Campus Unimonte), desenvolveram o aplicativo “Saúde em Libras”.
 
O projeto teve início durante uma atividade da faculdade, em que a professora propôs para os alunos a criação de uma ferramenta que auxiliasse na promoção da saúde do adulto e do idoso. O público que escolheram foram os deficientes auditivos, sendo um dos principais objetivos entender se é possível obter qualidade de saúde sem ter uma boa comunicação.
 
Após diversas pesquisas e leituras de artigos, os estudantes observaram que é raro encontrar um profissional da área que saiba atender esse público. Eles relatam que, quando um surdo comparece a uma unidade de saúde, é sempre acompanhado de um intérprete ou tradutor para fazer a ponte entre o paciente e o médico. "As consultas não são naturais, pois sempre passam por outra pessoa. As mulheres sofrem bastante porque, às vezes, são doenças e sintomas mais delicados", contou Suzana.
 
A experiência e o convívio pessoal foram os pontos de destaque para a escolha do tema da dupla. Suzana tem um primo que é deficiente auditivo e, por isso, ela sabe os desafios enfrentados durante as consultas médicas.
 
"O sistema de saúde apresenta grande dificuldade por conta dos profissionais não terem capacitação em Libras para poder conversar e realizar o atendimento. Fica muito complicado explicar para esse público determinadas doenças e, até os sintomas mais simples, como diabetes e pressão alta, não são fáceis de descrever. É uma comunicação muito falha", destacou Gabriel, ao relatar as experiências que presenciou nos estágios.
 
Encontrado o tema que queriam discutir no trabalho, os enfermeiros precisavam, ainda, incluir a tecnologia na tarefa. Foi então que pensaram em criar o aplicativo "Saúde em Libras", em que a população surda, médicos e servidores da área poderiam ter acesso aos pacientes, ensinando e conscientizando sobre a prevenção de saúde com vários vídeos, textos e artigos sobre as principais doenças e sintomas que eles observaram serem mais comuns e procurados. E ainda teriam a possibilidade de baixar e compartilhar na comunidade.
 
O projeto ficou disponível para ser instalado nos celulares com sistema Android durante quatro meses, e um dos primeiros a utilizar o aplicativo foi o primo de Suzana. "Meu primo baixou a nossa ferramenta e compartilhou com os amigos próximos a ele, que enviaram para outros amigos. Recebemos um feedback muito legal e positivo de todos eles", declara.
 
A dupla conta que fizeram tudo sozinhos, desde a criação no papel, com pesquisas de vídeos educativos, até mesmo o desenvolvimento do software do aplicativo. 
 
Durante o período que ficou disponível para ser instalado, mais de 2 mil pessoas fizeram o uso da plataforma. "Foi muito legal, porque hoje em dia todo mundo possui um celular, então o compartilhamento foi rápido e eficaz, ainda mais por ser de graça. Nosso objetivo era alcançar o maior número de pessoas possíveis durante esse tempo. Foi usada uma linguagem simples e fácil de compreensão, para pessoas que não eram da área da saúde terem a oportunidade de conhecer e entender nosso aplicativo", ressaltou Gabriel.
 
Como os custos para manter o aplicativo são altos, ele não está mais em uso. Porém, os idealizadores já foram reconhecidos e recompensados pelo esforço. 
 
A professora responsável por lecionar a matéria que deu início ao projeto incentivou os enfermeiros a se inscreverem na competição anual lançada pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e pela Associação Brasileira de Enfermagem – Seção SP (ABEn – SP).  
 
Dentre muitos que concorriam na categoria “Estudante”, a dupla conseguiu a primeira colocação. “Fizemos a inscrição sem a menor pretensão de ganhar. Fomos avançando as etapas e achando que ficaríamos em terceiro, no máximo. Jamais imaginamos o primeiro lugar”, contou a enfermeira. 
 
Como prêmio, ganharam uma menção honrosa do Coren e da ABEn, que elogiaram o projeto como  uma “experiência inovadora e transformadora da enfermagem”. O anúncio dos campeões foi revelado ao vivo no último dia da Semana de Enfermagem, em junho de 2022.
 
Além da menção, os premiados realizaram uma live especial no Instagram do Coren, juntamente da professora Larissa Kozloff Naves e da conselheira do Conselho Regional, Vanessa Morrone Maldonado. Também serão destaque em uma reportagem na revista de Enfermagem.
 
“Fechamos nosso curso com chave de ouro. Todo esforço valeu a pena, pois recebemos essa honraria antes mesmo de estarmos formados. Nós acreditávamos no nosso projeto inovador. Foi uma comoção muito grande na nossa Universidade, todos nos deram muito apoio. Também ganhamos uma matéria nas redes sociais da São Judas”, declarou Suzana.
 
Inclusive, a vicentina está aprimorando as técnicas para melhorar sua linguagem de sinais. O aplicativo “Saúde em Libras” será utilizado por Suzana para o mestrado que ela pretende dar início o quanto antes, já que seu desejo é conseguir voltar a deixar a plataforma disponível para download e para mais sistemas, como IOS. 
 
No momento, Suzana está à procura de algum programador para fechar parceria e seguir em frente com a ideia.
 
Por Emerson Nascimento

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