Escola da Área Continental aborda a cultura afro no Movimento Leia São Vicente

UE Jorge Bierrenbach Senra abriu as portas à comunidade escolar nesta sexta-feira (1º) com diversas ações desenvolvidas pelos 1,3 mil alunos

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As cores da cultura afro tomaram conta da Unidade Educacional Jorge Bierrenbach Senra (Jardim Rio Branco) nesta sexta-feira (1º), com uma série de ações desenvolvidas pelos alunos, professores e equipe gestora para o Movimento Leia São Vicente, que em sua sexta edição trouxe o tema “Ler: Aprendizagem para todos”.

A escola de 1,3 mil alunos realizou atividades variadas nos períodos da manhã e tarde, como apresentação de coral, demonstração de caratê da academia Yamato Dojô, exposição de artes produzidas pelos alunos, roda de capoeira, religião, palestra, videodocumentários, mostra de curta-metragem, hip-hop entre outros. A programação foi acompanhada pelas integrantes do Programa Somos Muitas Cores SV (Procor), da Secretaria de Educação (Seduc).


A palestrante Nayene Carmo abordou o pertinente tema “Preconceito e marginalização: drogas lícitas, ilícitas e seu impacto na saúde da juventude negra”. 


Reflexões sobre letras de música e a importância de ser antirracista; histórias de sucesso de negros nas artes, no jornalismo e em tantas outras áreas; e exemplos de que é viável alcançar o que quiser na vida marcaram o dia entre pais e alunos no evento. “Nossa escola é 70% formada por pretos e pardos. É preciso dar sonhos a eles e mostrar que é possível conquistar o que quiserem. O foco não é só o aluno, mas também o pai, a mãe, o irmão que estão aqui hoje”, apontou a diretora da UE, Valéria Montenegro. “A educação está atrelada a modificar vidas, e isso se estende para as famílias”.

Deborah dos Reis, do 9º ano, participou da criação das Abayomis, bonecas que eram confeccionadas por mulheres negras no trajeto de navios negreiros no Oceano Atlântico. Rasgando a barra das saias, as escravizadas davam tranças e nós no tecido, fazendo o brinquedo que distraía seus filhos. “Achei bem interessante conhecer de como surgiram essas bonecas e passar para as demais pessoas essa história”, comentou a estudante.


Máscaras produzidas pelos alunos sob a orientação da professora de artes, Silvana Passos chamaram a atenção pelas cores e tamanho. “Foram utilizados papel kraft e tintas guache, criando máscaras que representam os deuses da cultura africana, com a geometria dos turbantes e a estamparia das roupas. Eles trabalharam  a arte, a geometria, a estamparia  e todo o colorido que o povo africano trouxe para nós, transformando o conceito de moda”, detalhou a docente.


Isabelly Thereza, do 9o ano C, ficou satisfeita com o resultado de seu trabalho. “Fiz muitas máscaras e, com outros colegas, montamos uma árvore Baobá, com papel kraft”, orgulhou-se, mostrando a estilizada árvore-símbolo do continente africano.

Coordenador geral do Hip-Hop nas Escolas, Brunão Ment’Sagaz levou a sua música e a essência do hip-hop. Sociólogo e rapper vicentino, Brunão carrega em suas canções mensagens que valorizam a educação como ferramenta de transformação. 


Enquanto as apresentações rolavam no pátio, nas demais salas da escola o público participou de oficinas de macramê e de bijuterias, assistiu ao premiado e emocionante curta-metragem nacional “O Xadrez das Cores” e apreciou releitura de renomados artistas plásticos negros.

UE Mário Covas - Situada também na Área Continental, a UE Dr Mário Covas Jr (Parque das Bandeiras) também abordou a africanidade durante o Movimento Leia São Vicente, com uma exposição de bonecas Abayomis. “Foi uma oportunidade de os alunos conhecerem este símbolo para o Brasil, porque foi a primeira bonequinha a entrar em nosso País”, afirmou a professora de ciências, Giovanna Emmerich, que desenvolveu a atividade. Um sarau de poemas inspirou demais alunos a manifestarem-se em versos e a dança inspirada na lenda Ubuntu, que trata sobre cooperação, igualdade e respeito, foi executada por crianças do 5º ano. 

UE Santos Dumont - A Unidade Educacional Alberto Santos Dumont (Jardim Rio Branco) homenageou o patrono da escola na programação do Movimento Leia São Vicente. Os alunos da educação infantil fizeram uma apresentação na língua brasileira de sinais (libras) da música “Aviãozinho do Sonhador”, muito conhecida entre as crianças. A escola também preparou uma oficina de dobradura com presença dos pais, em especial aviõezinhos de papel, numa homenagem ao Pai da Aviação. Outra ação foi a sala de curiosidades e vídeo, com fatos interessantes sobre a concretização do sonho do homem em voar. Camisas temáticas também foram confeccionadas.

O “Movimento Leia São Vicente”, que acontece desde 2018, é uma realização da Seduc e visa incentivar o hábito da leitura por parte dos estudantes e comunidade escolar na realização de atividades alusivas à leitura durante todo o ano escolar, com a culminância em datas específicas e estabelecidas pela Secretaria de Educação, neste ano, nas datas 19 de abril e 1º de dezembro.

A ação já foi premiada em 2018, na categoria Secretaria de Educação, no PROLER - Programa Nacional de Incentivo à Leitura. No ano de 2021, recebeu o tema “Ler para Humanizar”, e em 2022, “Ler para Superar”.

 

Texto - Renato Pirauá

 

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