Os alunos das quatro turmas de 8º anos da UE Mário Covas Jr., no Parque das Bandeiras, apresentaram nesta quarta-feira (17) o sarau “Morte e Vida São Vicente”, uma releitura de “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto. A atividade foi desenvolvida a partir das histórias dos próprios estudantes e de suas famílias, relacionando a trajetória dos retirantes nordestinos retratada na obra com a migração de pais e avós que chegaram a São Vicente.
O encontro contou com a apresentação dos poemas produzidos pelos alunos, dramatização dos textos, exposição dos trabalhos de Arte, entrega de cartas de agradecimento aos responsáveis e um café coletivo.
Entre os familiares presentes estava Ricardo Harrott, avô da aluna Bruna Mirelly, do 8º B. Para ele, acompanhar a apresentação da neta foi um dos momentos mais marcantes da atividade.
“É a primeira vez acompanhando um projeto assim e a sensação é enorme. O momento mais marcante foi ver minha neta lendo o texto dela”, conta.
Bruna também participou da apresentação e comemorou o resultado do trabalho desenvolvido pelos estudantes.
“Achei o projeto muito legal e interessante. Amei a decoração e todas as coisinhas caprichadas que os alunos fizeram”, comenta a estudante.
Do sertão a São Vicente
Na obra de João Cabral, Severino deixa o sertão nordestino em direção ao litoral em busca de melhores condições de vida. A partir dessa trajetória, os alunos foram convidados a pensar quem seria o “Severino” dos dias atuais e a olhar para as próprias famílias em busca dessas histórias.
“A ideia surgiu naturalmente a partir do livro. Percebi que a grande maioria dos alunos têm pais e avós que vieram do Nordeste”, conta o professor Leandro Zanaroli.
O projeto foi desenvolvido durante as aulas de Língua Portuguesa, do professor Leandro, em parceria com as professoras de Arte Maria de Jesus Ribeiro e Carla Vanessa. A iniciativa também marcou os 70 anos da publicação de “Morte e Vida Severina”, lançado por João Cabral em 1955.
A proposta envolveu as quatro turmas de 8º ano da unidade. Todos os alunos produziram poemas a partir de questões presentes em suas próprias realidades, como os desafios da vida urbana, da escola e da juventude. Cerca de 40 textos foram selecionados para serem apresentados durante o sarau.
“É emocionante ver o projeto concluído com tanto êxito e a casa cheia, justo no dia do meu aniversário”, celebra o professor.
Literatura também virou arte
O projeto não ficou apenas na escrita. Durante as aulas de Arte, os estudantes produziram as imagens que fizeram parte do sarau utilizando a isogravura, técnica que utiliza isopor para reproduzir características da xilogravura.
A atividade também aproximou os alunos do trabalho do artista pernambucano J. Borges. Com rolinho e tinta guache, eles produziram imagens relacionadas às histórias trabalhadas nos poemas, como a partida da terra natal, a chegada a São Vicente, a feira e o mar.
“Unimos a proposta da literatura ao estudo da xilogravura. Explicamos a técnica através do isopor, utilizando rolinho e tinta guache. Eles ilustraram a partida da terra natal, a chegada a São Vicente, a feira e o mar, sempre em sintonia com os poemas. O resultado final e ver a produção deles é muito gratificante”, destaca a professora Carla Vanessa.
Participação familiar
Além da apresentação dos poemas, o encontro contou com dramatização dos textos, exposição dos trabalhos produzidos pelos alunos e entrega de cartas de agradecimento aos responsáveis. As famílias também participaram de um lanche comunitário, levando comidas para compartilhar durante o encontro.
Para a diretora da unidade, Francilma de Paula Barros, a participação das famílias também fez parte da proposta.
“O projeto agregou o conhecimento da cultura nordestina à nossa realidade em São Vicente. Trouxe uma reflexão para os alunos olharem para a cidade com mais cuidado e, acima de tudo, trouxe as famílias para dentro da escola”, afirma.
Por Luan Guerato