O Ginásio Poliesportivo Dondinho, no Catiapoã, foi tomado pelas cores, pela música e pela tradição das festas juninas neste domingo (28), durante o 5º Festival de Quadrilhas Juninas Estudantis de São Vicente (Fequajesv). Com mais de 500 espectadores lotando as arquibancadas, o evento promovido pela Secretaria de Educação (Seduc) reuniu estudantes, familiares, profissionais da Educação e comunidade escolar, celebrando a cultura popular brasileira por meio de apresentações preparadas ao longo de meses pelas unidades escolares.
Inspiradas no tema "Geografia na Educação em ano de Copa do Mundo: seus países, suas culturas", as escolas transformaram a quadra em um grande espetáculo, unindo dança, teatro, música, circo e manifestações culturais de diferentes povos.
Ao final da competição, a AMEI ‘Visconde de Sabugosa’ (bairro Tancredo) conquistou o título de campeã da edição de 2026, com 119,8 pontos. A AMEI ‘Vera Lúcia Machado Massis’ (Náutica III) ficou com o vice-campeonato, somando 119,3 pontos, enquanto a AMEI Parque São Vicente ‘Maria de Lourdes Batista’ garantiu a terceira colocação, com 118,6 pontos.
Primeira escola a entrar na quadra, a AMEI Visconde de Sabugosa emocionou o público com o tema "Entre Nações e
Tradições – Um Espetáculo Junino". A apresentação reuniu elementos das festas juninas brasileiras com referências culturais de outros países, explorando o tema proposto de forma criativa e envolvendo diferentes oficinas desenvolvidas na unidade.
Responsável pela organização do trabalho artístico, Jocelino Paiva destacou que, por trás dos 20 minutos de espetáculo, foram meses de preparação para a realização de um sonho. "Foi maravilhoso levar isso para as crianças. Elas são muito talentosas, e nada disso seria possível sem o trabalho de toda a equipe. Nosso coreógrafo Lennon, a direção, os professores, os funcionários... cada um ajuda de um jeito. As oficinas de dança, teatro, circo, jogos e brincadeiras foram incorporadas à apresentação. Aqui a gente trabalha unido".
A diretora Andrea Luz também comemorou o resultado. "Organizar tudo com o tema voltado à Copa foi um desafio, e conseguimos transformar isso em um espetáculo. Estou muito feliz".
Entre os estudantes, a alegria estava estampada nos rostos. Antes mesmo do anúncio do resultado, a aluna Rhiany Victoria, de 10 anos, demonstrou maturidade ao falar sobre a competição. "Não sei se a gente vai ganhar, mas o importante é que a gente dançou, deu o nosso melhor e fez de tudo para uma grande apresentação".
A colega Lara Victória, de 11 anos, contou que o nervosismo desapareceu quando a música começou. "Fiquei bem ansiosa e com medo, mas foi muito legal. As oficinas de dança e de teatro ajudaram bastante. Eu amo essa escola. Ela é maravilhosa".
Já o estudante Sandro Santos, de 11 anos, destacou a união da equipe. "Eu estava muito nervoso, mas minha mãe dizia que eu ia conseguir. Meus colegas e os professores me ajudaram muito. Aqui todo mundo é unido. Por isso eu gosto tanto da minha escola".
Alto nível - A vice-campeã, AMEI ‘Vera Lúcia Machado Massis’, também arrancou aplausos do público com uma apresentação marcada pela criatividade e pelo envolvimento dos estudantes. A pequena diferença, de apenas meio ponto para a campeã, demonstrou o alto nível técnico das apresentações e o equilíbrio da competição. A unidade mostrou que o trabalho desenvolvido ao longo dos ensaios vai além da coreografia, fortalecendo valores como união, compromisso e protagonismo.
Assistente de direção, Cristiane Araújo destacou a dedicação dos alunos durante toda a preparação. "É emocionante ver a alegria e o empenho deles. Ensinar esse compromisso de participar dos ensaios, colaborar com os colegas e estar em um evento como esse faz toda a diferença. Dá muito trabalho, mas é extremamente compensador".
Segundo ela, a reta final de preparação exigiu ainda mais empenho da equipe. "A rotina se intensifica a cada dia. São ensaios, cenários e muitos detalhes para que eles cheguem mais seguros à apresentação. Ver a felicidade l no final é muito gratificante".
O professor e coreógrafo Renan Lima Santos contou que um dos maiores desafios foi convencer alguns alunos a participarem da quadrilha, principalmente aqueles apaixonados por futebol.
"Os meninos só querem saber de futebol. Um deles dizia que dança não era para ele, mas insistimos, conversamos bastante, e ele acabou aceitando participar. No final, descobriu que podia unir duas paixões: a dança e o futebol. Ver essa transformação não tem preço".
O aluno Arthur Gomes, de 13 anos, assumiu que nunca havia imaginado participar de uma apresentação de dança. "Eu fiquei muito nervoso porque nunca tinha dançado competindo. Meu negócio sempre foi jogar bola, mas fui inspirado pela minha família, pela direção e pelos professores. Hoje estou dançando feliz".
A mãe do estudante, Vanessa Gomes Vieira, acompanhou toda a trajetória do filho, e celebrou a mudança de postura proporcionada pela escola. "Ele nunca gostou de participar dessas atividades, mas decidiu entrar por causa do incentivo do professor, da direção e de toda a escola. Ver meu filho ali foi motivo de muito orgulho. Essa escola é nota mil".
A terceira colocada, AMEI Parque São Vicente ‘Maria de Lourdes Batista’, preparou um espetáculo inspirado na relação entre as festas juninas e o futebol, mostrando que tradição e esporte podem caminhar juntos. A diretora Adriana de Souza Santos destacou que o resultado foi fruto de três meses de trabalho coletivo. "Com poucos recursos, contamos com a ajuda dos pais, da equipe e de toda a comunidade escolar para construir essa apresentação. Agora fica a sensação de alívio e de dever cumprido”.
O professor e coreógrafo Lélis Torres salientou que o maior prêmio é a experiência proporcionada aos estudantes. "Foram muitos meses de ensaio, com o apoio dos pais, dos alunos e dos funcionários. A apresentação dura apenas 20 minutos, mas essa é uma lembrança que eles vão levar para a vida toda".
A coordenadora pedagógica Andreza Simões reforçou que o verdadeiro objetivo do festival vai muito além da classificação. "O importante é participar, incentivar as crianças e mostrar que a competição é saudável. Independentemente do resultado, eles já são vencedores".
Entre os estudantes, a dedicação também ficou evidente. A aluna Manuella Rosa, de 10 anos, contou que os ensaios exigiram muito esforço. "Foram muitos ensaios. Todos bem cansativos, mas valeu muito a pena". A colega Kamilly Campos, de 11 anos, revelou que chegou a dançar mesmo sentindo dores. "Meu pé estava machucando, mas valeu a pena. Foi uma experiência incrível".
A quarta escola a se apresentar no Festival foi a UE Antônio Pacífico (Jóquei Clube), com 39 integrantes do ensino fundamental 2, levando para a quadra a coreografia baseada no tema ‘Copa, Fogueira e Fé’.
Premiação e reconhecimento - Durante a cerimônia de encerramento, também foram premiados os casais Miss e Mister das escolas participantes. O destaque da edição ficou com a AMEI Vera Lúcia Machado Massis (Cidade Náutica), representada por Maria Eduarda e Arthur Talles, eleitos Miss e Mister do Fequajesv 2026.
Outra surpresa anunciada pela Secretaria de Educação foi que todas as escolas participantes receberão um passeio educativo – ainda a ser definido –, independentemente da classificação, como forma de reconhecimento pelo empenho de estudantes e equipes.
A secretária de Educação, Michelle Paraguai, comemorou o sucesso da retomada do festival e reafirmou o compromisso de fortalecer o evento. "Missão cumprida! Para o próximo ano, nosso compromisso é expandir ainda mais o Festival de Quadrilhas, com a participação de mais escolas. Queremos fortalecer essa tradição e valorizar cada vez mais a cultura popular dentro da nossa rede, tornando o evento anual”.
Por - Renato Pirauá