A manhã desta sexta-feira (25) foi marcada pela inclusão e pela conscientização na Orla do Gonzaguinha, em São Vicente. Quem passou pelo local pôde acompanhar a Caminhada do Setembro Verde, realizada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Comdef), em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de São Vicente, e apoio da Prefeitura.
Com o tema “Pertencimento, Presença e Participação”, a atividade reuniu famílias, crianças, pessoas com deficiência, representantes de entidades e apoiadores da causa. A iniciativa reforçou a importância da participação social e da garantia de direitos das pessoas com deficiência.
Para a presidente do Comdef, Valéria Uchôa, o momento é importante para ampliar a conscientização e fortalecer as políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência, incluindo aquelas com deficiências não aparentes.
“É muito importante valorizar, motivar e conscientizar as pessoas sobre as deficiências aparentes e não aparentes. Precisamos de mais empatia, oportunidades de emprego e apoio, tanto para as mães atípicas quanto para as pessoas que cuidam de um familiar com algum problema de saúde”.
Valéria também ressaltou a participação da sociedade na caminhada e avaliou que o Município tem avançado na construção de políticas públicas para esse público.
“Temos mais de 200 pessoas reunidas, envolvidas e comprometidas em multiplicar essa mensagem. Espero que as políticas públicas para as pessoas com deficiência se fortaleçam cada vez mais e que mais portas sejam abertas. Vejo no meu dia a dia que São Vicente está avançando muito”.
A vice-presidente do Comdef, Stephane Eugênio, destacou que a inclusão precisa ser discutida durante todo o ano e chamou atenção para atitudes cotidianas que contribuem para garantir acessibilidade e respeito. “A inclusão é algo que deveria ser falado durante os 365 dias do ano. Ainda precisamos de um mês específico para mostrar que existimos e que não podemos mais viver na invisibilidade. Há coisas simples que podemos fazer no cotidiano, mas que ainda não fazemos, como respeitar uma vaga destinada à pessoa com deficiência”.
Segundo Stephane, a proposta também é garantir que as pessoas com deficiência ocupem os espaços que desejarem e tenham protagonismo na sociedade.
“Precisamos trazer luz para as pessoas com deficiência e entender que o lugar delas é onde elas quiserem. É mais do que inclusão, é protagonismo”.
Para a diretora social da APAE-São Vicente, Carla Zomignani, a união entre famílias, entidades e sociedade é fundamental para fortalecer a luta pela garantia de direitos. "Esse evento é um presente para toda a sociedade, e mostra que precisamos cada vez mais de envolvimento. A união é a palavra-chave. O tema deste ano, ‘Pertencimento, Presença e Participação’, reforça a importância de as famílias estarem junto conosco".
Carla também ressaltou que a mobilização deve continuar durante todo o ano. “Na APAE, essa luta faz parte do nosso dia a dia. Atualmente, temos cerca de 300 pessoas atendidas e suas famílias, que precisam de suporte diariamente. É importante que essa conscientização não se esgote aqui. O Setembro Verde é um momento para chamar a atenção da sociedade, mas a garantia de direitos precisa ser um movimento contínuo”.
Participação das famílias
Entre os participantes estava João Batista, de 75 anos, pai de uma aluna da APAE. Para ele, momentos como a caminhada fortalecem a integração entre as famílias e mostram que as pessoas com deficiência devem estar presentes em todos os espaços da sociedade.
“Tenho uma filha especial, que é uma bênção e um presente de Deus para nossa família. Essa caminhada representa integração e compreensão. É muito bom ver nossos filhos não sendo isolados, mas junto com as outras pessoas, participando das atividades. Para nós, pais, também é uma alegria estar aqui”.
João também aproveitou para agradecer aos profissionais e colaboradores que atuam diariamente no atendimento às pessoas com deficiência. “Somos muito gratos à APAE, aos professores, cuidadores, diretores, monitores, motoristas e a todos que se dedicam a cuidar deles. É uma grande alegria saber que existe um espaço que acolhe essas crianças e ajuda a superar suas limitações”.