Antes mesmo do sinal bater para o recreio, elas já estão na cozinha preparando refeições que fazem parte da rotina de milhares de alunos da rede municipal de São Vicente. Celebrado em 10 de maio, o Dia da Cozinheira reconhece o trabalho das profissionais que, diariamente, ajudam a transformar alimentação em cuidado dentro das escolas.
Ao todo, 256 trabalhadoras atuam em 106 unidades educacionais do município, entre creches, escolas integrais AMEIs e unidades de ensino. A equipe é formada por 141 merendeiras, 106 auxiliares de cozinha e 9 servidoras estatutárias, responsáveis pela preparação de cerca de 36 mil refeições servidas diariamente aos alunos da rede municipal.
Essas profissionais desempenham um papel que vai muito além do simples preparo de alimentos, elas são fundamentais na garantia da segurança alimentar e nutricional dos estudantes. Em muitas situações, a merenda escolar representa a principal refeição equilibrada do dia.
“A merenda é, para muitos alunos, a principal refeição do dia. Ela garante não só a nutrição adequada, mas também impacta diretamente no desenvolvimento, na saúde e até no rendimento escolar”, afirma Naiana Alves, líder da Diretoria de Alimentação Escolar.
O cuidado começa cedo. A rotina das cozinheiras tem início, em média, às 6h30, com a organização dos insumos e o preparo das refeições que serão servidas ao longo do dia. Nas creches, por exemplo, são oferecidas até cinco refeições diárias, incluindo café da manhã, lanches, almoço e jantar. Já nas escolas integrais AMEIs e unidades de meio período, os cardápios são adaptados conforme a faixa etária e o tempo de permanência dos alunos.
Na escola integral AMEI Duque de Caxias (Jardim Guaçu), a rotina intensa revela os bastidores desse trabalho. “A correria, principalmente na hora de lavar as panelas, é um dos maiores desafios do dia a dia”, relata a cozinheira Adriana Santos Novais, que está há um ano na unidade.
Apesar dos desafios, o significado da função se destaca no contato direto com os alunos. “Ser cozinheira é, acima de tudo, um ato de amor, especialmente pelas crianças”, afirma Maria Ana de Souza Gomes, também há um ano na unidade. Ela conta que percebe o impacto do trabalho no momento em que serve as refeições, quando os alunos repetem os pratos, elogiam a comida e as famílias demonstram reconhecimento pelo cuidado diário.
Adriana também relembra um momento marcante, quando uma mãe levou chocolates como forma de agradecimento pelo cuidado e atenção dedicados ao filho, que tinha dificuldade para se alimentar. “O carinho é tudo, é o principal na cozinha”.
Para Ariane Helena Santos Jeremias, que chegou recentemente à unidade, mas já traz experiência de outra rede municipal, o reconhecimento é essencial. “Gostaria que mais pessoas reconhecessem o esforço, valorizassem as cozinheiras e entendessem o amor que colocamos em cada refeição”.
Todo o cardápio é elaborado por nutricionistas, seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e respeitando as necessidades nutricionais de cada faixa etária. O abastecimento das unidades também segue um planejamento rigoroso, com entregas semanais de hortifrúti e proteínas, garantindo frescor, além de itens estocáveis distribuídos mensalmente.
No dia a dia das escolas, a equipe também observa sinais importantes sobre a realidade alimentar dos alunos. “Percebemos, com frequência, crianças que chegam com muita fome, algumas até precisam se alimentar antes do horário da merenda, e outras repetem a refeição. Isso mostra o quanto a alimentação escolar é essencial”, explica Naiana.
Segundo ela, essas percepções já influenciaram ajustes no próprio cardápio. “Um exemplo foi a mudança no dia de oferta do macarrão. Antes servido às sextas-feiras, passou para quinta, porque notamos que, após o fim de semana, muitos alunos voltavam na segunda-feira com mais fome, o que evidenciava a dependência da merenda escolar”, completa.
Na unidade escolar Pastor Joaquim (Cidade Náutica), a cozinheira Fernanda Sant’Ana do Nascimento, que trabalha há oito anos na escola, destaca a responsabilidade envolvida na função e o carinho dedicado à alimentação dos alunos. “Minha profissão requer muita responsabilidade, e amo o que eu faço. Fico muito feliz quando vejo aquela fila enorme, com as crianças ansiosas para comer”.
Fernanda também ressalta que o trabalho vai muito além do preparo das refeições. “Se não for fazer com amor, é melhor nem fazer. Nossa rotina diária não é fácil. Além da responsabilidade de cozinhar para muitas crianças, temos ainda outras obrigações, como aferir a temperatura dos alimentos várias vezes ao dia, contar estoque, anotar tudo que entra na cozinha, tudo que usamos diariamente e manter tudo limpo e organizado. Algumas pessoas acham que é só entrar, cozinhar e lavar a louça.”
Além da alimentação diária, a rede municipal também investe em projetos que ampliam o papel educativo da cozinha escolar. Iniciativas como o “Cardápio Escolar Sustentável”, que prioriza alimentos da agricultura familiar e preparações de origem vegetal, e o “Pequenos Exploradores do Sabor”, que incentiva o consumo de frutas e legumes de forma lúdica, aproximam os estudantes de hábitos mais saudáveis.
Outras ações, como o “Guia de Cortes e Texturas”, que reduz desperdícios e adapta os alimentos ao desenvolvimento infantil, e o projeto “Escola e Nutrição – Protagonismo e Consciência Alimentar”, reforçam a integração entre alimentação e aprendizado. Há ainda o Concurso de Auxiliares de Cozinha, que valoriza as profissionais e estimula a criação de receitas nutritivas e criativas.
Para Naiana Alves, o reconhecimento no Dia da Cozinheira vai além da homenagem. “Essas profissionais são parte essencial da escola. Elas acolhem, cuidam e contribuem diretamente para o bem-estar dos alunos. Cada refeição preparada carrega atenção, responsabilidade e, principalmente, afeto”, destaca.
O Dia da Cozinheira evidencia a dimensão de um trabalho que, todos os dias, garante alimentação de qualidade para milhares de alunos da rede municipal. Entre rotinas que começam cedo, planejamento nutricional e atenção constante às necessidades dos estudantes, essas profissionais seguem como parte fundamental do funcionamento das escolas e da permanência dos alunos em sala de aula.