Celebrado em 12 de maio, o Dia da Enfermagem reconhece o trabalho essencial dos profissionais que atuam diariamente no cuidado, acolhimento e recuperação dos pacientes. Na rede municipal de saúde de São Vicente, histórias de dedicação e amor à profissão reforçam a importância da enfermagem para o funcionamento humanizado dos serviços.
Auxiliar de Enfermagem há sete anos na rede municipal de São Vicente, Margarete Zanetti da Fonseca, servidora do Pronto-Socorro Central, conta que o desejo de cuidar surgiu ainda na infância, mas ganhou ainda mais força após uma experiência pessoal que transformou sua vida. O marido sofreu um grave acidente de moto com sequelas, o que a motivou a correr atrás do novo sonho.
Segundo ela, acompanhar de perto todo o processo de recuperação, adaptação e enfrentamento às dificuldades fez com que enxergasse ainda mais o valor da assistência e do acolhimento na área da saúde.
“Desde criança, sempre gostei muito de cuidar. Me sentia realizada vendo a recuperação das pessoas. O acidente do meu marido me motivou ainda mais a seguir essa profissão. Foram anos cuidando dele e aprendendo, na prática, o quanto o carinho, a paciência e a dedicação fazem diferença”.
Margarete afirma que a vivência pessoal fortaleceu sua empatia pelos pacientes e familiares que passam por momentos delicados. “Quando você vive isso dentro da própria casa, entende ainda mais a dor, o medo e a esperança de quem está do outro lado. Isso mudou completamente minha forma de cuidar”.
Entre os momentos mais marcantes da trajetória, ela relembra o período em que atuou na UTI Covid do Hospital São José. Segundo a profissional, acompanhar tantas perdas foi um dos maiores desafios emocionais da carreira.
“Era muito difícil ver tantas pessoas partindo, muitas delas jovens. Fazíamos o nosso melhor, mas nem sempre conseguíamos salvar aquelas vidas. Isso me marcou muito”.
Para ela, a enfermagem vai além da assistência técnica. O acolhimento, a empatia e a escuta também fazem parte do cuidado. “Nosso papel é oferecer suporte emocional, ouvir com amor e carinho, facilitar a comunicação entre equipe e familiares, além de prestar toda a assistência necessária”.
Margarete também relembra com emoção a história de uma paciente em estado grave, que corria risco de amputação devido a uma erisipela severa. Após anos, ela retornou ao serviço totalmente recuperada.
“Ela voltou andando, com a perna totalmente cicatrizada. O marido havia me filmado durante os curativos e postado nas redes sociais agradecendo pelo cuidado. Foi um momento muito emocionante e gratificante”.
Técnico de enfermagem há quase 16 anos, Nick dos Santos Parada atua há dois anos no Samu, e afirma que a paixão pela profissão surgiu de forma natural em sua vida: “Na verdade, a enfermagem que me escolheu”.
Morador de São Vicente desde o nascimento, ele destaca como um dos momentos mais importantes da carreira a aprovação no concurso público municipal: “Sempre tive vontade de trabalhar na cidade onde nasci e cresci. Poder ajudar a população vicentina tem um significado muito grande para mim”.
Na visão do profissional, a enfermagem é um elo fundamental dentro da assistência em saúde: “Somos os olhos que vigiam, as mãos que executam e os ouvidos que escutam quando ninguém mais tem tempo. Nosso papel vai muito além da técnica”.
Ele também destaca a importância da escuta e da atenção aos pacientes: “Tive um paciente lúcido que ninguém dava muita importância. Às vezes, cinco minutos de conversa e escuta têm tanto valor quanto um remédio”.
Sobre humanização, Nick resume: “É tratar as pessoas como gostaríamos de ser tratados. Afinal, aquele paciente é o amor de alguém”.
Dia da Enfermagem – Celebrado em 12 de maio, o Dia Internacional da Enfermagem homenageia a vida de Florence Nightingale, pioneira da profissão na era moderna. Ela ficou famosa como a “Dama da Lâmpada” por sua atuação na Guerra de Crimeia, que ocorreu entre 1853 e 1856.