Uma das poucas escolas públicas do Estado de São Paulo a integrar o programa internacional Schools Across the Ocean do Reino Unido (SATO-UK), a Unidade Educacional Pastor Joaquim Rodrigues da Silva (Náutica 3) marcou presença em uma jornada de conexão global, ciência e conscientização climática.
A participação dos estudantes do 7º ano da escola municipal de São Vicente foi viabilizada pela professora de Ciências Márcia Franco, que inscreveu a unidade no programa educacional transdisciplinar. A escola parceira internacional foi definida pela organização do projeto, que conectou a UE vicentina à Thomas Hall School, da Inglaterra. A iniciativa reuniu escolas do Brasil, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos e Azerbaijão, formando uma rede internacional de aprendizagem colaborativa entre alunos, professores e cientistas.
O projeto aconteceu por meio da iniciativa Maré de Ciência/Escola Azul e contou, na UE Pastor Joaquim Rodrigues da Silva, com a contribuição de alunos do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Ao longo de três meses, os estudantes participaram de atividades que unem cultura oceânica, arte, ciência, sustentabilidade e intercâmbio cultural. Conectando crianças de diferentes países, o SATO-UK visa ampliar a compreensão sobre os oceanos, as mudanças climáticas e os desafios ambientais do planeta.
As atividades e os encontros com cientistas foram organizados pelo projeto em parceria com a University of Exeter, referência internacional em estudos ambientais e oceânicos. Enquanto os estudantes brasileiros desenvolveram as propostas em São Vicente, a escola inglesa realizava atividades semelhantes no Reino Unido. Nos encontros virtuais, as turmas compartilharam pesquisas, perguntas, vivências e descobertas relacionadas ao oceano.
“Foi uma experiência ímpar e enriquecedora aos nossos alunos e também aos estagiários do PIBID. O encontro além do Oceano, demonstra a importância de ações para preservá-lo”, destacou a professora, que realizou atividade de campo com seus alunos na área de mangue situada a cerca de 200 metros da unidade escolar e conhecida pelos moradores do bairro como “maré”. O local, com rica biodiversidade, foi apresentado às crianças da Inglaterra. “Eles se encantaram com as imagens de nossas aves, em especial o Guará Vermelho”, ressaltou Márcia Franco.
A linha de pesquisa desenvolvida pela UE Pastor Joaquim Rodrigues teve como foco os manguezais, em razão da proximidade da unidade escolar com o ecossistema. Entre as ações propostas, os estudantes calcularam a distância em linha reta entre São Vicente e a escola inglesa parceira, participaram de oficinas teatrais, pesquisas sobre gramas marinhas — tema de destaque nas pesquisas britânicas —, atividades de percepção ambiental e produções artísticas voltadas à preservação dos oceanos.
Destaque
Um dos destaques do projeto foi o reconhecimento internacional de um cartoon produzido pelo aluno Noah, escolhido na Inglaterra para representar o Dia Mundial da Terra. A produção foi desenvolvida durante as oficinas sobre mudanças climáticas e conscientização ambiental promovidas pelo programa.
Alfabetização climática - O projeto também contribui para a alfabetização climática e a formação dos educadores, oferecendo materiais pedagógicos, suporte estruturado e experiências de aprendizagem compartilhadas. Um dos diferenciais do programa é a conexão direta entre as turmas e cientistas especializados em oceanografia e clima, permitindo que os alunos tenham contato com pesquisas científicas e possam tirar dúvidas em encontros virtuais ao vivo.
A programação teve início em fevereiro com atividades de apresentação das comunidades escolares e localização das escolas parceiras em mapas-múndi, promovendo reflexões sobre diversidade cultural e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. As escolas participantes também integraram um mapa virtual mundial da plataforma do projeto, permitindo o acompanhamento das atividades desenvolvidas em diferentes países.
Na sequência, os estudantes participaram de atividades artísticas ao ar livre, pesquisas sobre ecossistemas marinhos, oficinas com cientistas internacionais, produção de documentários ambientais, criação de histórias em quadrinhos sobre o clima e simulações de futuros climáticos possíveis.
Além das atividades em sala de aula, as turmas participaram de encontros virtuais com a escola parceira inglesa para compartilhar experiências, produções e conhecimentos adquiridos ao longo do projeto. Segundo a professora Márcia Franco, mesmo com a barreira do idioma, os estudantes conseguiram se reconhecer e interagir já no primeiro encontro online, fortalecendo os laços construídos ao longo da iniciativa. Um dos momentos marcantes aconteceu quando os alunos identificaram referências de um meme mundial conhecido como “SixSeven”, aproximando ainda mais os grupos e facilitando a interação entre os estudantes.
O encerramento ocorreu em um encontro global promovido pela equipe do SATO chamado “Campfire”, expressão utilizada como um encontro virtual para a culminância do projeto, reunindo as escolas dos diferentes países para a apresentação de trabalhos, reflexões e ações desenvolvidas durante a jornada. Todos os participantes receberão certificados.