Para quem trabalha diariamente em hospitais, a doação de sangue não é apenas um ato de solidariedade. É um recurso essencial que pode ser decisivo para a recuperação e o tratamento de inúmeros pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
As profissionais do Pronto-Socorro Central (PSC) de São Vicente, a técnica de enfermagem Laura Correia Bulhões e a enfermeira Mônica Alves de Lima, conhecem de perto essa realidade. Atuando diariamente na assistência a pacientes em situações de urgência e emergência, elas testemunham o impacto que uma bolsa de sangue pode ter na recuperação e na sobrevivência de quem precisa de atendimento.
Laura conhece essa realidade sob duas perspectivas: a de profissional da saúde e a de mãe. Atuando na área desde 2008, ela passou a doar sangue regularmente em 2014, após vivenciar uma experiência que transformou sua relação com a causa.
"Trabalhando na UTI, acompanhamos pacientes entre a vida e a morte sendo salvos por meio de transfusões. Mas foi quando meu filho precisou de sangue que compreendi ainda mais a importância da doação", relata.
Aos cinco anos, o menino sofreu um grave acidente, rompeu o baço e teve um hemotórax, quadro que provocou grande perda sanguínea. Por ser do tipo O negativo, precisava receber sangue compatível, o que limitava as possibilidades de transfusão.
Laura, que possui sangue O positivo, não podia doar diretamente para o próprio filho. "Ele foi salvo graças às doações recebidas. Em apenas quatro dias de campanha, conseguimos arrecadar 373 bolsas de sangue, que ajudaram não apenas meu filho, mas também a reforçar os estoques do hemonúcleo naquele período".
Desde então, Laura realiza três doações por ano e também incentivou o filho a seguir o mesmo caminho. Hoje, ele já realizou três doações.
Mônica também construiu sua consciência sobre a importância da doação ao longo da carreira. Com mais de 25 anos de experiência na enfermagem, ela afirma que a transfusão de sangue faz parte da rotina hospitalar em diferentes especialidades. "Costumo dizer que a doação de sangue é um ato de cidadania. Muitas pessoas associam a transfusão apenas a acidentes, mas ela está presente em diversos momentos da assistência à saúde".
Foi durante a atuação nas unidades Pediátrica e Neonatal que Mônica percebeu, de forma mais concreta, o impacto de uma bolsa de sangue na recuperação dos pacientes. "Alguns recém-nascidos eram tão pequenos que cabiam praticamente nas nossas mãos. Conviver com essas situações me fez entender, na prática, a importância de cada doação".
Outro momento marcante para a enfermeira ocorreu durante períodos de aumento dos casos de dengue hemorrágica. Segundo ela, essas situações ajudaram a mostrar que uma única doação pode beneficiar várias pessoas. "Muitas vezes utilizávamos plasma e plaquetas. Isso me fez perceber que uma única doação pode ajudar diferentes pacientes, já que o sangue é separado em componentes específicos para cada necessidade".
Para ambas as profissionais, a doação representa uma forma de ampliar o cuidado oferecido aos pacientes. "É muito gratificante saber que posso ajudar a salvar vidas de diferentes formas dentro da profissão que escolhi", afirmou Laura.
Mônica compartilha do mesmo sentimento. "Sempre que instalo uma bolsa de sangue, penso que ali existe muito mais do que um tratamento. Existe alguém ajudando outra pessoa sem sequer conhecê-la”.
Por Guilherme Gebara