Muito antes dos grandes estádios e das transmissões ao vivo, são os campos de várzea que reúnem famílias, fortalecem comunidades e revelam talentos. No Dia do Futebol, celebrado em 19 de julho, São Vicente, através da Liga Vicentina de futebol amador, relembra histórias que envolvem desde a cultura esportiva vicentina até um dos maiores nomes da história do futebol brasileiro: Neymar Jr.
Ainda criança, antes de se tornar ídolo mundial, o camisa 10 da Seleção Brasileira frequentava o tradicional Canto do Rio, um dos clubes mais vitoriosos da várzea vicentina. Levado pelo pai, Neymar passava os domingos na sede do clube, brincando com bola, jogando sinuca e convivendo com atletas e dirigentes após as partidas.
Presidente da Liga Vicentina de Futebol Amador desde 1989, Gicílio de Almeida Cardoso, o Gici, lembra com carinho daqueles dias e conta que o talento já chamava atenção desde garoto. "O Neymar ia todo domingo ao Canto do Rio com o pai. Eu dizia para o pessoal: 'Tirem foto com esse garoto, porque depois vocês não vão conseguir'. Todo mundo dava risada, mas eu falava que ele seria uma das maiores estrelas do futebol. Hoje eles lembram disso e dizem 'Caramba, o Neymar ficou aqui com a gente todo domingo'", recorda.
Além de Neymar, os campos de várzea de São Vicente também foram palco para outros atletas que, mais tarde, alcançaram o futebol profissional. Entre eles estão Adriano "Pagode" e Marcelo Santos, que iniciaram suas jornadas no tradicional Canto do Rio e alcançaram a glória chegando ao Santos Futebol Clube, conquistando títulos como o Campeonato Paulista, o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores da América.
Fundada por Jayme Horneaux de Moura, em 25 de junho de 1938, a Liga Vicentina é a segunda mais antiga do Estado de São Paulo e uma das mais tradicionais do futebol amador paulista. Filiada à Federação Paulista de Futebol, a entidade ajudou a consolidar a força da várzea na Baixada Santista e já organizou campeonatos estaduais e competições que marcaram gerações.
"O futebol de várzea é mais do que competição. Nas escolinhas, ensinamos educação, respeito e convivência. O futebol continua sendo um grande formador de pessoas. Antigamente praticamente todos da família participavam tanto na diretoria como na torcida na beira de campo, praticamente o time era formado por jogadores de sua comunidade", ressalta Gici.
Entre as competições mais tradicionais está o Campeonato Pé no Chão, conhecido como a "Libertadores da Várzea". A competição reúne equipes de destaque da Baixada Santista e já contou com a participação de diversos atletas profissionais durante o período de férias, atraindo milhares de torcedores às finais.
Nos dias atuais, a paixão permanece viva. Para Gici, preservar a várzea é preservar uma parte importante da identidade vicentina "A várzea é o amor do brasileiro. É onde você reencontra os amigos, cria histórias e fortalece a comunidade. Isso não tem preço, não há como haver futebol profissional sem existir o futebol de várzea".
Por Luis Gomes