Os sorrisos no pátio e o colorido dos balões ganharam um significado ainda mais especial na UE Província de Okinawa (Vila Margarida). A unidade educacional comemorou 40 anos com uma grande festa que transformou o cotidiano das crianças em uma imersão de aprendizado e resgate cultural. A celebração não apenas marcou quatro décadas de ensino na rede municipal, mas também reafirmou o papel essencial da escola como o primeiro grande espaço de socialização e transformação dos alunos vicentinos.
Desde as primeiras horas da manhã, o clima na unidade era de expectativa. Os próprios alunos participaram ativamente dos preparativos, ajudando a enfeitar as salas e os corredores com desenhos e criações que faziam referência ao Japão. O ponto alto da programação foi a apresentação de dança tradicional japonesa, na qual as crianças acompanharam atentamente os movimentos, ritmos e trajes típicos. A atividade prática serviu como uma extensão lúdica da sala de aula, conectando os pequenos à história da própria escola e à herança cultural do Japão.
A celebração foi encerrada com o parabéns coletivo em volta de um bolo preparado especialmente para a comunidade escolar, reunindo alunos, professores, antigos diretores e funcionários que ajudaram a erguer e consolidar a instituição ao longo das últimas quatro décadas.
Para quem vivencia o dia a dia da unidade, a data vai muito além do calendário festivo. A assistente de direção da escola, Fabiana Helena, destaca que acompanhar a evolução dos alunos é a base para formar cidadãos conscientes para o mundo. “Ver o pátio cheio e presenciar o desenvolvimento diário dessas crianças é a maior gratificação que podemos ter. A escola é a primeira janela que se abre para o aprendizado e para a convivência", pontuou, acrescentando que "muitas pessoas importantes já passaram por estas salas de aula e, hoje, ver essa nova geração aprendendo sobre respeito e comunidade nos dá a certeza de que estamos formando os futuros cidadãos que vão representar o melhor da nossa sociedade”
O evento contou com a presença marcante do ex-prefeito Koyu Iha, então chefe do Executivo em 1978, quando São Vicente e Naha (capital de Okinawa) se tornaram cidade-irmãs. Ao discursar para os presentes, relembrou o período de expansão da rede pública de ensino e defendeu uma visão pedagógica focada na igualdade e na responsabilidade coletiva. “A educação de verdade acontece quando mostramos que não existe superioridade entre as pessoas e que somos todos iguais. No Japão, a escola ensina desde cedo o valor do respeito ao espaço coletivo e o cuidado com o próximo. A escola não é apenas um prédio, é a fonte principal da formação humana. É gratificante retornar aqui após 40 anos e ver que esse compromisso com a igualdade e com a formação de valores continua vivo”.
Por Leonardo Matos