Meses de ensaios, noites em claro, figurinos, cenários, coreografias e muita dedicação. Todo esse trabalho resultou em um momento inesquecível na última terça-feira (30), quando a Junina Tralalá conquistou, pela primeira vez, o título do 14º Festival de Quadrilhas de São Vicente.
A conquista reforça o protagonismo da Primeira Cidade do Brasil no cenário junino paulista. São Vicente é considerada uma das principais referências do Estado quando o assunto é quadrilha junina, reunindo o maior número de grupos profissionais de São Paulo e mantendo viva uma tradição marcada por identidade, beleza e emoção.
Ao todo, mais de 80 pessoas participaram da construção do espetáculo, desde o processo criativo até a produção, a cenografia, os figurinos, as coreografias e toda a estrutura dos bastidores.
"O caminho até esse título foi árduo e repleto de desafios. Foram dias de ensaios, noites sem dormir preparando cada detalhe da cenografia e uma diretoria dedicada 24 horas para que tudo acontecesse da melhor forma. O resultado foi um espetáculo à altura desse grande sonho. Essa conquista é fruto do trabalho de mais de 80 pessoas, entre diretoria, equipe de produção, corpo de ballet, quadrilheiros e os pais que caminharam ao nosso lado. Cada um foi essencial para transformar esse sonho em realidade", destaca o presidente da Junina Tralalá, Lennon Raphael.
O espetáculo campeão trouxe como tema a saga da colheita do milho, retratando de forma lúdica o desejo de uma criança de comer pipoca. A apresentação levou o público a acompanhar momentos como a chuva, a colheita, a festa na roça e, claro, a magia da pipoca.
"Sempre tive o sonho de falar sobre a colheita do milho por representar uma das tradições mais vivas das festas juninas. Buscando uma forma lúdica de contar essa história, chegamos à pipoca, que desperta lembranças da infância e traduz a alegria da nossa cultura. Depois, nossa diretoria e equipe de produção abraçaram o projeto, transformando cada detalhe em um espetáculo emocionante, cheio de encanto e significado”.
O público vê apenas uma pequena parte dessa história. Antes dos minutos na arena, existe uma preparação que dura meses e envolve dezenas de pessoas trabalhando diariamente para que tudo aconteça.
"Sem dúvida, todo o processo é marcante. Um dos momentos mais especiais é a concentração antes de entrar na arena, quando fazemos nosso grito de guerra e unimos nossas energias. Entramos com a missão de emocionar o público, e quando o espetáculo termina e vemos todos de pé, aplaudindo e vibrando, temos a certeza de que cumprimos nosso propósito e que todo o esforço valeu a pena”.
Mais do que competir em festivais, a Tralalá também desenvolve um importante trabalho social no bairro Tancredo Neves, em São Vicente. Por meio da cultura popular, o grupo utiliza a dança, a arte e a convivência como ferramentas de transformação social.
"A Tralalá é o único grupo junino do Estado de São Paulo dedicado exclusivamente ao trabalho com crianças e adolescentes. Desenvolvemos um projeto social na comunidade do Tancredo Neves. Por meio da dança, da arte e da convivência, contribuímos para o desenvolvimento social dessas crianças e mostramos que o caminho do bem sempre vale a pena. Nossa maior missão é manter viva a tradição junina e formar cidadãos com valores, sonhos e esperança para o futuro”.
Mas, construir um espetáculo capaz de emocionar a todos também trouxe dificuldades durante o processo criativo.
"O maior desafio foi desenvolver um tema que retratasse a colheita do milho de forma lúdica, emocionante e de fácil compreensão para os jurados e para o público. Encontrar os elementos certos para contar essa história exigiu muito estudo, criatividade e dedicação. Mas, em nenhum momento, deixamos de acreditar que era possível. Com o trabalho incansável de toda a diretoria e da equipe de produção, transformamos esse sonho em realidade”.
A decisão do festival foi definida no critério de desempate, justamente no quesito temática, tornando a conquista ainda mais especial.
"Foi um momento de muita emoção e de muita ansiedade. Em vários instantes, cheguei a pensar que uma quadrilha infantil não conseguiria conquistar esse título. Mas, o sonho se tornou realidade. Quando ouvimos o nome da Junina Tralalá como campeã, a emoção tomou conta de todos. Ver a alegria e o brilho nos olhos das nossas crianças fez cada esforço valer a pena”.
Para Lennon, a conquista representa muito mais do que um troféu.
"É a realização de um sonho plantado há 12 anos, que permaneceu de pé mesmo diante de muitos desafios. É o reconhecimento do trabalho da nossa diretoria e de toda a equipe, que são os verdadeiros responsáveis por fazer essa magia acontecer. E, acima de tudo, é um incentivo para seguir em frente. Ainda teremos novos desafios e concursos pela frente, mas esse título nos dá ainda mais força, motivação e vontade de evoluir a cada apresentação”.
A temporada, porém, ainda não terminou. A Junina Tralalá segue representando São Vicente em outras competições.
"Vamos seguir firmes para os concursos que ainda temos pela frente e encerrar esta temporada de forma linda e grandiosa. Depois disso, entregaremos o futuro da Junina Tralalá nas mãos de Deus. A Tralalá sempre viveu de ciclos, porque nossas crianças crescem e cada etapa exige renovação. Ainda não sabemos o que 2027 nos reserva, mas temos a certeza de que, em 2026, ainda vamos levar nossa alegria, nossa cultura e fazer muitos arraiás pipocarem de emoção por onde passarmos”.
Lennon faz um convite para que mais pessoas conheçam o movimento das quadrilhas juninas e reconheçam sua importância para a cultura popular.
"Convido todos a conhecerem o movimento das quadrilhas juninas, que mobiliza nossa cidade, gera empregos, fortalece a cultura e mantém importantes projetos sociais vivos. Convido o poder público, a iniciativa privada e toda a comunidade a incentivarem esse movimento que, a cada dia, cresce e transforma vidas. E, se você ainda não conhece uma quadrilha junina, venha nos visitar. Tenho certeza de que vai se apaixonar por essa cultura, pela emoção e pela força que ela tem de unir e transformar pessoas”.
Por Maria Fernanda Lopes