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Santos - São Paulo - Brasil, 25 de junho de 2024.
08/03/2021
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Parte 1 - As Calungas: O legado (e a fibra) de Marlene
Vicentina de alma, ela é o coração pulsante da Cidade na arte e na educação

Na língua bantas, de origem africana, “Calunga” significa “Tudo de bom”. Uma ótima expressão para representar o povo vicentino, principalmente as mulheres que constroem a Cidade.


 
Marlene da Silva Santana, de 69 anos integra esse grupo: uma mulher de coragem, de fibra e guerreira. “Eu me considero uma mulher potente, que tem os sonhos muito além do que penso, porque sonhar é viver, é querer, é poder. E realizar sonhos é melhor ainda”, garante a professora aposentada da rede municipal de Ensino de São Vicente, orgulhosa da sua trajetória marcante e cheia de vida.
 
Descendente de indígenas e judeus, Marlene enaltece as suas origens. Foi com sua mãe Maria e seu pai Júlio que aprendeu a dar valor ao que tem de mais precioso: a vida. Os pais vieram da Bahia para Baixada Santista em busca de um futuro melhor. Apesar de analfabetos, sempre ensinaram aos dez filhos a importância dos estudos. “Meu pai não sabia ler nem escrever, mas sabia matemática como ninguém. Minha mãe era uma costureira, doceira e uma mãe incrível. Tudo o que sei hoje foi ela que me ensinou,” afirma.
 
Marlene é uma mulher de paixões intensas, pela vida, pela educação, pela arte e por São Vicente. Doou-se por inteiro pela Cidade, foi professora do ensino básico e formou uma geração de vicentinos. Depois, representou a Cidade como integrante do supervitorioso Grupo de Dança da Melhor Idade. Nunca perdeu um evento sequer. Inclusive, participou das primeiras edições da Encenação da Fundação da Vila de São Vicente, na década de 1980. Até hoje ela guarda todas as recordações da sua jornada em um quarto, que para ela é um santuário. As fotos destacam o sorriso largo e vibrante, enquanto os figurinos feitos em puro brilho comprovam a sua pluralidade.

 
Quem olha de longe não imagina que por trás de toda alegria existe uma mulher que enfrentou dificuldades. Aos 9 anos, já ajudava na criação dos irmãos. O peso precoce da responsabilidade levou-a a ser forte – e potencializar essa força para ser feliz.
 
Na vida adulta, fez da dança uma forma de superar os problemas. A batida da música levava o corpo a flutuar e a mente a focar no momento. Esse amor pela arte surgiu quando dava aula, preparando as crianças para a festa junina e participando da quadrilha dos professores. “Percebi que levava jeito para a dança”.
 
Mas esta não é a única habilidade de Dona Marlene. Por meio de rimas e versos, ela recita a estrofe da vida. Uma parte do seu santuário é reservada para os poemas que escreveu. “Cada pessoa que eu conheci ganhou um poema meu,” entre as histórias de amor tem uma que é especial, dedicada ao filho mais velho no dia do seu casamento. “Aqui cheguei / Aqui estou, vestida de lilás/ Com um brilho que me satisfaz (...)/ Vendo em teus olhos brilhantes, vi teu pai me amar / Com os mesmos olhos brilhantes ele me levou ao altar / Hoje estou aqui com você para te carregar / Com minhas mãos, a tua mão vou te levar ao altar (...)”.

 
Marlene conquistou títulos e prêmios com todas as atividades, além de cativar uma família de coração, formada pelos dançarinos e seu professor, Jadir Muniz, e que fazem parte da jornada dessa mulher inesquecível.
 
Em suas próprias palavras ela se descreve com uma certeza de que sua história nunca será esquecida.  “Sou estrela para brilhar, estrela para iluminar / Nos momentos da vida vou sempre te encontrar, para serem minhas amigas, para nunca terminar / Nos seus olhos vou olhar e vou sempre te amar / Até o dia que essa estrela se apagar / Mas o brilho dela vai ficar gravado na memória que nunca mais você esquecerá.”

 
Por: Maria Angélica Medeiros



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