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Cidadania


5 de dezembro de 2017

Violência de gênero é discutida em São Vicente

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Evento organizado pela Assessoria da Mulher, com apoio da Secretaria de Educação, aconteceu na Câmara Municipal

 

“O caminho para o fim da violência é a educação”. A frase de Maria das Graças Nascimento Silva, a Professora Graça, sintetiza o evento realizado nesta manhã (5), na Câmara Municipal. O evento, denominado “Mulheres Sem Mordaça”, é uma parceria da Assessoria Especial de Políticas Públicas da Mulher, com o apoio da Secretaria de Educação (Seduc).

 

Cerca de 300 pessoas marcaram presença, entre elas a secretaria da educação Eugênia, a presidente do Fundo Social de Solidariedade, Andrea Gouvêa, a vice-prefeita e secretaria de assistência social Professora Lurdinha, entre outras.

 

Para Eugênia Marcondes Teixeira, “embora os números nem sempre sejam reais, a violência existe. É uma opressão que está implícita na sociedade. Como educadora, entendo que é através da mentalidade que a gente muda esse quadro”.

 

Ela comentou ainda que a Seduc realiza projetos para ensinar os alunos da rede municipal sobre questões de igualdade de gênero, como palestras e reuniões nas escolas, ministradas pela professora Graça e outros convidados. Assim, as crianças e adolescentes contribuem para “ter uma sociedade mais justa”.

 

O evento abriu com a palestra da árbitra internacional de boxe, Marcela Souza. Ela dividiu sua experiência no esporte com o público, e os desafios de ser uma mulher negra. Iniciou no Aeroboxe aos 17 anos e formou-se em Educação Física anos depois. Em 2000, deu aulas no EMEF Prefeito José Meirelles, no Quarentenário e na Escola Estadual Antônio Luiz Barreiros, no Japuí.

 

Decidiu ingressar na arbitragem quando a Liga da qual participava abriu um curso de formação de árbitros durante seis meses. Era a única mulher, mas isso não a impediu de seguir seu sonho. “A gente sempre sofre [machismo]. Ainda mais pelo fato de ser a única, não havia ninguém para dividir ou ter comparações. Mas com o caráter, a dignidade, isso não acabou, mas minimizou muito”.

 

Após várias competições nacionais e internacionais, foi eleita a melhor árbitra e prêmio revelação entre homens e mulheres. Marcela chegou às Olimpíadas Rio 2016, provando que lugar de mulher também é no ringue. “Foi o momento que eu pude mostrar que todas nós somos capazes, todos tem espaço e competência para estar aonde quer”, completa. Hoje dá aulas no E. E. Pastor Joaquim Lopes Leão. Recém chegada da Índia, pretende se preparar para as Olimpíadas Tóquio 2020.

 

Outro assunto abordado no evento foi a Lei Maria da Penha, com palestra ministrada pelo delegado e poeta Paulo Della Rosa. Segundo ele, as desigualdades de gênero estão presentes, por exemplo, nos altos cargos, na diferença de salários e até na forma como as meninas e meninos são tratados pela família.

 

Teatro – Para encerrar, o grupo Sobreviventes da Cultura apresentou a peça de teatro Mulher, sobre relacionamentos abusivos e a trajetória de Maria da Penha. Sob direção de Gabriela Capparelli, professora de teatro e monitora do Programa Mais Educação, as seis atrizes foram aplaudidas de pé pela platéia, mostrando que a arte é uma forma de discutir temas sérios.

 

“Nós ainda vivemos numa sociedade culturalmente machista. Mas quanto mais falamos, mais nós conseguimos esmiuçar”. O grupo é composto por alunos e ex-alunos de Gabriela, convidados pela Seduc para a performance. “Eu estou bem feliz com isso, é um trabalho que precisa ser mostrado. Não só pelo trabalho em si, mas pelo assunto que tem que ser falado. As pessoas não têm noção do quão grande é e como nós temos que lutar”, destaca.

 

Campanha – “16 dias de ativismo contra a violência de gênero” é uma mobilização anual, praticada simultaneamente por diversos atores da sociedade civil e poder público engajados nesse enfrentamento.

 

Desde sua primeira edição, em 1991, já conquistou a adesão de cerca de 160 países. Mundialmente, a Campanha se inicia em 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, e vai até 10 de dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos, passando pelo 6 de dezembro, que é o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres.

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