A semana que fecha o mês de agosto foi especial para alunos da Unidade Educacional Laura Filgueiras (Vila Mateo Bei). Participante do projeto Oceano Vivo, desenvolvido pela pela professora de Ciências, Márcia Franco, a escola recebeu na tarde de terça-feira (26) a visita de pesquisadores internacionais, para conhecerem as ações voltadas à cultura oceânica, desenvolvidas pelos estudantes.
A UE foi uma das contempladas em São Vicente com o Selo Azul, certificação internacional concedida a escolas que promovem a conscientização sobre os oceanos, com o compromisso de promover a educação marinha e a sustentabilidade.
Idealizadora do projeto, Márcia Franco apresentou todos os passos com os alunos, no intuito de fortalecer ações ambientais na Década dos Oceanos por meio do protagonismo ambiental, A professora destacou a importância da parceria com a Unesp, que forneceu oito estagiários do Programa Institucional de Bolsas e Iniciação à Docência. “As crianças conheceram a biodiversidade marinha, aprenderam sobre as espécies, reconheceram a importância da biodiversidade e aplicaram o conhecimento por meio da bioarte”, explanou a professora, detalhando a experiência de campo, quando tiveram a oportunidade de um olhar científico na área de mangue no bairro Náutica 3, conhecida como “maré”. “Conforme eu recebia a devolutiva positiva dos alunos, avançava com mais conhecimentos, gerando desenvolvimento de jogos, realização de gincanas, visitas monitoradas, palestras, entre outras ações”.
Doutorando em Cultura Oceânica na Austrália, Consuelo Quevedo classificou como inspiradores os projetos desenvolvidos nas escolas de São Vicente contempladas com o Selo Azul. “Já estive no Chile, atuo há alguns anos na Austrália e tenho boas perspectivas para o futuro dos oceanos. Nunca havia visto uma iniciativa assim. É maravilhoso esse trabalho. Estar aqui em São Vicente, com tanta gente inspiradora, é realmente único”, afirmou a especialista em Ciências Sociais Marinhas, Alfabetização Oceânica e Educação Ambiental.
Também cursando doutorado na área de Cultura Oceânica, a engenheira Civil-Ambiental Navya Vikraman Nair se disse impressionada com as ações realizadas pela professora e os estudantes. “Sou do Canadá, mas já fui à Índia, ao Japão, África e a tantos outros lugares do mundo, e nunca vi um projeto tão interessante. Foi uma grande iniciativa trabalhar as redes sociais para expandir esses conhecimentos, o que possibilita chegar a todos os públicos, seja infantil, seja adulto”, apontou.
A oceanógrafa Beatriz Almonacil Fernández, da Fundación Amiguitos del Océano, do Equador, classificou como emocionante o interesse dos estudantes em não apenas aprender, mas também expandir o conhecimento com outras pessoas por um planeta mais azul. “Quero compartilhar as experiências vistas aqui em São Vicente com as crianças do Equador, em uma aula conjunta via internet.
Já a oceanógrafa brasileira Caroline Schio, fundadora do projeto Monitoramento Mirim Costeiro, desenvolvido em Santa Catarina, enfatizou a importância da participação das. “Essa conexão com o oceano é o primeiro passo para eles se apropriarem como guardiões, sentindo como é o vínculo a ser criado naturalmente com a natureza. E a escola é o caminho para fomentar esse tipo de experiência”. Para Caroline, é fundamental trazer o tema à escola sempre de uma maneira prática e científica, para que os alunos se tornem cientistas, pesquisadores e monitores da costa oceânica onde vivem.
Alunos - Mesmo diante de especialistas em Cultura Oceânica, alunos de 6º e 7º anos demonstraram domínio sobre o que trabalharam na escola este ano. Adryan Vieira, 12 anos, se mostrou contente com os resultados para a sua vida. “As aulas do Oceano Vivo me incentivaram a conhecer coisas que eu não imaginava que existissem no fundo do mar. Eu me aprofundei muito mais no assunto”.
Yuri Silva, 12, destacou que aprender foi essencial, e que agora é a vez de multiplicar todo o conhecimento. “É a vez de nós passarmos as informações, para ensinar mais pessoas sobre a importância de preservar os oceanos. Aprender é bom, porque é uma forma de conhecermos coisas novas e que vamos usar pela vida toda”.
Sophia Costa, 12 anos, destacou que “participar dos projetos na nossa escola, agora com o Selo Azul, está sendo muito importante, porque aprendemos mais sobre a vida marinha e os ecossistemas de uma forma geral. Tudo que aprendo, comento em casa e meus pais acham bem interessante a ideia.
Projetos - Além da UE Laura Filgueiras, a professora Márcia Franco foi também responsável por desenvolver o Projeto Marecraft em uma escola onde lecionou no bairro Náutica 3; e Projeto Climate Change CoralCraft, realizado na UE Sílvio Santos (Vila Cascatinha), contribuindo para que essas unidades também fossem contempladas com o Selo Azul.