"O tratamento que mais gosta de fazer é a hidroterapia. Ela adora ficar lá, é uma verdadeira peixinha. Até reclama quando tem que sair”. É com os olhos brilhando de emoção que Isabela Gomes, mãe da pequena Eloah, de 6 anos, fala da evolução da filha ao longo desses anos de atendimento no Centro de Reabilitação Física Infantil São Camilo.
Eloah nasceu prematura, com apenas 30 semanas, enfrentando complicações, como uma parada cardiorrespiratória nas primeiras 12 horas de vida. Após a alta hospitalar, ainda sem sinais visíveis de alterações no desenvolvimento, a mãe só teve o primeiro alerta de que algo estava diferente ao passar por uma consulta com um médico que recomendou uma avaliação neurológica.
Foi então que, após conversar com uma mãe de uma criança com deficiência, decidiu procurar uma neurologista: “Passei em um médico depois da alta, e ele me alertou sobre um possível diagnóstico. Ele dizia que ela era especial e eu negava, porque não via nada de diferente. Aí ele me disse para procurar um neurologista para uma outra avaliação. Foi quando conversei com uma mãe que tem um filho especial que faz tratamento no Centro São Camilo, e ela me disse para procurar a unidade”.
Depois de receber encaminhamento para o São Camilo, passou por consulta com a neurologista, e veio o diagnóstico: paralisia cerebral. “Naquele momento tudo mudou. O mundo se abriu e se fechou ao mesmo tempo”, desabafa a mãe.
Desde então, Eloah passa por tratamento de fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e o seu preferido, a hidroterapia: “Com certeza, o que ela mais gosta é da hydro. Se deixar fica o dia todo lá. Ela é uma verdadeira peixinha”, relatou Isabela.
O tratamento já vai completar cinco anos, e os resultados são visíveis: “Ela evoluiu muito. Quando ela chegou aqui, não conseguia sustentar o pescoço, não falava, e hoje, é outra criança. Ela fala algumas palavras e uma outra maneira de comunicação é através do tablet, que ela usa”
Acolhimento que transforma
O Centro São Camilo tornou-se mais do que um lugar de tratamento, é um refúgio para as mães que chegam em busca de respostas e apoio. “As terapeutas me acolheram, me ajudaram. Hoje, faço o mesmo por outras mães de primeira viagem que chegam aqui sem saber o que esperar do diagnóstico.”
Essa rede de apoio se estende também à escola. Eloah estuda na EMEIEF Profª Eulina Trindade, onde a comunicação entre terapeutas, família e professores é essencial. Por meio de um tablet com comunicação alternativa, ela interage e participa das atividades escolares. “Tudo é combinado com as terapeutas. Se precisa de um estímulo específico, elas me orientam e eu passo para as professoras. É um trabalho em conjunto.”
Avanços pela rede pública
Com apoio da Prefeitura, por meio da Secretaria da Saúde (Sesau), Eloah tem acesso a transporte especializado até o São Camilo, para tratamentos e troca das órteses, equipamento que ajuda a manter o posicionamento correto dos pés durante as terapias. “Essa já é a terceira que ela usa. Pesquisei o preço e custa entre R$600 a R$900. Com essa economia, consigo investir em outras necessidades dela.”
Outro avanço importante no tratamento de Eloah foi a aplicação de botox, realizada por meio da rede de saúde municipal. O procedimento foi indicado pelo fisiatra e agendado pelo programa Reabilitar. Diagnosticada com espasticidade (condição que provoca rigidez muscular involuntária), ela não tem controle sobre a contração de certos grupos musculares, o que pode levar à dor e atrofias.
“O botox ajuda a relaxar os músculos daquela região. Como ela não consegue comandar o corpo para relaxar, essa substância impede que os músculos fiquem duros o tempo todo e evita uma possível atrofia. Depois disso, as terapias ajudam a fortalecer novamente aquele músculo”.
A mãe reforça a importância de cada pequeno cuidado no dia a dia. “Até na hora do banho, a fisio orienta que a gente massageie o músculo. Essa é a importância de fazer todos os tratamentos que são indicados. Tudo isso ajuda a manter os ganhos que ela conquista com tanto esforço”.
Por Guilherme Gebara