Médicos da família, ginecologistas e enfermeiros participaram, na última sexta-feira (20), da 2ª Capacitação de Prevenção do Câncer do Colo do Útero e de Endometriose, realizada no SEST Senat. O encontro teve como objetivo atualizar os profissionais sobre diagnóstico, manejo e prevenção dessas condições, reforçando a importância da atuação integrada na rede pública de saúde.
A programação foi dividida em duas etapas. Na primeira, a ginecologista Dra. Bruna Panis explicou o que é a endometriose, doença caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero: “A endometriose é uma condição em que o tecido de dentro do útero passa a se desenvolver em outros locais do corpo, mantendo resposta hormonal e causando inflamação recorrente”, destacou. Segundo ela, esse processo pode provocar dor intensa, inflamação e até infertilidade, impactando diretamente a qualidade de vida das mulheres.
Na sequência, o Dr. Fábio Morozetti Ramajo abordou o manejo clínico da doença, enfatizando que o tratamento da endometriose não se resume à cirurgia: “A abordagem cirúrgica é indicada apenas para uma parcela dos casos. A maioria das pacientes pode iniciar o tratamento já na primeira consulta, com manejo clínico adequado.”
Ele também destacou o papel da atenção básica no cuidado inicial: “O acolhimento deve começar no primeiro contato com o sistema de saúde. Não é adequado que a paciente permaneça meses com dor sem intervenção”, explicou. Segundo o especialista, terapias hormonais, como anticoncepcionais, são uma estratégia inicial importante: “Não se trata de negligência, mas de um primeiro passo no cuidado, que ajuda a controlar os sintomas até a avaliação especializada.”
Outro ponto ressaltado foi a necessidade de individualizar o tratamento. “É fundamental entender quem é essa paciente, se há infertilidade e quais são seus objetivos. Isso muda completamente a conduta. O diagnóstico é inicialmente clínico, e os exames devem ser solicitados com hipótese bem definida para aumentar a precisão da avaliação”, comentou o especialista.
Durante a capacitação, também foi destacado que o tratamento deve ser contínuo e multidisciplinar, já que a doença não é tratada apenas com cirurgia, mas também com acompanhamento psicológico, fisioterapêutico e suporte ao longo do tempo.
Na segunda etapa do evento, a ginecologista e servidora Dra. Maria Angélica da Silva Almeida falou sobre a prevenção do câncer do colo do útero, reforçando a importância da vacinação e do acompanhamento regular: “A prevenção ainda é a principal ferramenta para reduzir a incidência do câncer do colo do útero, e a vacinação tem um papel fundamental nesse processo.”
A enfermeira responsável pela Unidade de Saúde da Mulher, Carol Vallejo, ressaltou a relevância da capacitação para a qualificação do atendimento. “Essa capacitação foi fundamental para atualizar as práticas de manejo da endometriose e fortalecer a integração entre os serviços. Quando os profissionais da atenção básica, especializada e hospitalar atuam de forma alinhada, conseguimos garantir um cuidado mais ágil e resolutivo para as pacientes”, afirmou.