Cerca de 250 pessoas participaram do Festival OPA - Das Margens para o Centro, realizado nos dias 20 e 21 de março, nas Oficinas Culturais de São Vicente (Catiapoã). A iniciativa apresentou um mapeamento participativo sobre as ameaças climáticas no município, transformando relatos e vivências de moradores em exposições artísticas e culturais.
Integrado ao projeto CoopClima (que tem como objetivo desenvolver ferramentas para a tomada de decisão territorial com base em evidências científicas e comunitárias) e ao Plano São Vicente 500 Anos, o festival reuniu a comunidade, o poder público e pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). A proposta é contribuir para a construção de políticas públicas voltadas à justiça climática e a soluções sustentáveis para o futuro da cidade.
O evento marcou o encerramento de um ciclo de oficinas realizadas ao longo do segundo semestre de 2025 em diversos bairros. Durante os encontros, moradores compartilharam percepções, memórias e experiências relacionadas aos impactos das mudanças climáticas em seus bairros.
As vivências coletadas foram transformadas em estações interativas, com exposições, jogos, conteúdos audiovisuais e atividades educativas, permitindo que a população conhecesse, de forma acessível, diferentes realidades do município.
Segundo o bolsista de pós-graduação em Ciência Ambiental da USP, Luiz Guilherme Pereira Pires, a proposta foi tornar o tema mais próximo do cotidiano da população.
“Cada território trouxe suas percepções e identificou seus principais riscos. A partir disso, criamos espaços que representam essas realidades, com atividades dinâmicas que facilitam a compreensão sobre a crise climática”, explicou.
A pesquisadora do projeto, Beatriz Duarte Dunder, destacou o papel da escuta ativa na construção da iniciativa.
“A exposição nasce das histórias e das memórias dos moradores. A ideia é dar visibilidade a territórios que, muitas vezes, não são ouvidos, fortalecendo o reconhecimento dessas vivências dentro da própria cidade”, afirmou.
Entre as atividades, oficinas com crianças abordaram o conceito de percepção ambiental, incentivando o cuidado com o meio ambiente desde cedo. A proposta foi estimular a observação do entorno e a construção de vínculos com a natureza como base para a conscientização.
O impacto também foi percebido pelos participantes. A estudante Stephanie Elvis destacou a experiência.
“Aprendi bastante coisa e gostei muito das atividades”, contou.
O professor de música William Monteiro dos Santos ressaltou a identificação dos alunos com os temas abordados.
“Muitos reconheceram situações do próprio bairro, como alagamentos e acúmulo de lixo. Isso contribui para a conscientização e amplia o diálogo dentro das famílias”, afirmou.
Moradora do México 70, Francisca Eliane da Silva também participou das atividades e destacou a importância da iniciativa.
“A oficina representa o nosso dia a dia e também traz os sonhos dos jovens para o futuro”, disse.