Na terra onde tudo começou, a história volta a ganhar forma. Na noite desta quarta-feira (21), São Vicente mais uma vez voltou a transformar a areia da Praia do Gonzaguinha em memória viva. A abertura da Encenação 2026 emocionou o público, recontando a chegada de Martim Afonso de Sousa à Primeira do Brasil, em 1532.
Sob o tema “O Chamado dos Elementos”, o maior espetáculo em areia de praia do mundo apresentou uma narrativa de sustentabilidade. A chuva, inclusive, tornou-se parte do roteiro, reforçando o elo entre passado, natureza e presente.
A abertura foi marcada pelo canto do hino nacional, entoado em tupi-guarani, provocando uma reflexão sobre as origens do país.
Com inovação proporcionada por um telão de LED, a arena foi transformada em um espaço imersivo, de interação em tempo real com o andamento do espetáculo.
A edição atual traz à cena a força da água, do fogo, da terra, do ar e do éter — elo invisível que conecta tudo. Os elementos não surgem apenas como símbolos, mas protagonistas de uma reflexão atual sobre meio ambiente, ancestralidade indígena e pertencimento, como explica o diretor da apresentação, José Luiz Morais (Luigi).
“O ‘Chamado dos Elementos’ é um convite para refletirmos sobre o passado e o futuro ao mesmo tempo. Ao revisitar 1532, falamos de ancestralidade, de povos originários, de natureza e de pertencimento. A chuva, os elementos, a arena e a comunidade se uniram para criar uma experiência que vai além do espetáculo”.
O espetáculo também se destacou pelas interpretações que deram vida a personagens centrais da história vicentina. O influenciador Paulo Benevides, o Tio Paulo, interpretou Martim Afonso de Sousa, conduzindo o público pelos primeiros passos da colonização com presença marcante e forte conexão com a plateia. Marissol Dias emocionou ao reviver a indígena Bartira, símbolo da ancestralidade e do encontro entre culturas que moldaram o nascimento de São Vicente. Dudu Horvath marcou presença mais uma vez no papel de João Ramalho, personagem fundamental na mediação entre povos originários e colonizadores, reforçando em cena os diálogos, conflitos e alianças que atravessam a formação da primeira cidade do Brasil.
O encerramento do primeiro dos quatro dias foi marcado por um momento de forte impacto visual. A tradicional queima de fogos iluminou o céu de São Vicente, selando o espetáculo como uma grande celebração da história, da cultura e da identidade da primeira cidade do Brasil. Ao som final da música “Samba do Brasil”, o espetáculo reforçou o DNA representativo da cultura brasileira, transformando a arena em um espaço de união, orgulho e pertencimento.
O prefeito de São Vicente, Kayo Amado, compartilhou da emoção do momento “A Encenação é um grito de esperança que São Vicente faz. Não é fácil colocar um espetáculo desse porte de pé em uma cidade que enfrenta dificuldades, mas é justamente por isso que ele se torna ainda mais necessário. É o ato de reafirmar nossa história, um grito de alegria de um povo trabalhador, que faz todo o esforço possível para manter viva essa tradição".
“A Encenação é muito mais do que um fenômeno cultural. É o maior evento da Cidade, que reúne milhares de pessoas ao longo de quatro dias e reafirma, ano após ano, o fato histórico de sermos a primeira cidade do Brasil.
O evento segue até sábado (23), a partir das 20h30, na areia da Praia do Gonzaguinha (Praça Tom Jobim). A programação também inclui uma área imersiva, proporcionando ao público uma experiência sensorial na história de São Vicente. Ao lado da arena, estará a Feira SV 360, iniciativa voltada ao fomento do empreendedorismo local.
A Encenação 2026 é incentivada via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com patrocínio de Brasil Terminal Portuário, GranServices, Grupo Ecorodovias e Sabesp. A iniciativa é uma realização da Associação dos Artistas e Prefeitura de São Vicente, com apoio da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo.
Por Luis Gomes