A arte de um povo revela as raízes de sua história e ajuda a construir sua identidade. Em São Vicente, essa expressão cultural passou a integrar, de forma permanente, as políticas de requalificação urbana do Município.
Além de revitalizar praças, ciclovias e áreas de convivência, a Prefeitura incorporou o grafite e outras linguagens artísticas às entregas de infraestrutura, transformando muros e paredões em espaços de comunicação, memória e pertencimento.
A iniciativa começou de forma espontânea no Parque da Juventude, na pista de skate, ambiente naturalmente ligado à cultura urbana. Diante da repercussão positiva, a proposta foi estruturada e passou a integrar o planejamento das obras públicas, alcançando quadras esportivas, praças e vias de grande circulação.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Urbano, Alexsandro Ferreira, a estratégia amplia o conceito de urbanização.
“Cada obra passou a ser pensada também como espaço de identidade. Não entregamos apenas concreto; entregamos cultura, memória e conexão com as pessoas”.
“As intervenções artísticas urbanas contribuem para manter a cultura da Cidade viva ao preservar e reinterpretar a memória coletiva, dar voz à comunidade e integrar a cultura ao cotidiano das pessoas”, complementa.
A intervenção realizada no muro de contenção da Avenida Tupiniquins, que teve sua ciclovia completamente revitalizada, representa um marco na integração entre urbanização e arte ambiental. O painel foi desenvolvido a partir de uma pesquisa sobre a fauna e a flora do Parque Estadual Xixová-Japuí, unidade de conservação que compõe a identidade natural da região.
A obra apresenta uma composição floral e imagens de aves típicas, como o tiê-sangue e a garça, estabelecendo uma conexão direta entre o espaço urbano e o patrimônio ambiental vicentino. Além de qualificar visualmente a via, o mural transforma um extenso paredão de concreto em um ponto de contemplação, estimulando a apropriação positiva do espaço por moradores e visitantes.
Rua Japão
Na Rua Japão, a intervenção artística dialoga diretamente com a identidade do local. O mural faz referência à cultura japonesa, utilizando personagens e símbolos populares do imaginário oriental, valorizando a influência cultural presente na região. Um dos cartões-postais é a ilustração dos personagens da série Dragon Ball Z — sucesso oriental que se expandiu por todo o mundo.
Antes caracterizada por um espaço pouco atrativo, a área passou a ganhar vida e reconhecimento, tornando-se um ponto de interesse visual e cultural. A intervenção fortalece o sentimento de pertencimento da comunidade e cria uma relação afetiva entre o espaço público e quem circula diariamente pelo local.
Praça da Bíblia
A Praça da Bíblia recebeu um painel artístico em um de seus muros, transformando uma superfície antes neutra em um elemento simbólico e cultural. A obra retrata a cena de Jesus com seus discípulos, fazendo alusão direta à vocação religiosa da praça e ao uso tradicional do espaço para encontros comunitários e manifestações de fé.
A intervenção reforça o caráter contemplativo e familiar do local, além de estimular o cuidado coletivo com o espaço público, que passou a ser mais frequentado e valorizado pelos moradores do entorno.
Praça Nossa Senhora Aparecida
Localizada no bairro Vila Fátima, a praça foi reinaugurada em abril de 2025, entregando uma nova quadra poliesportiva com melhorias em acessibilidade, nova iluminação de LED e playground para a comunidade, que depois foi finalizada com belas pinturas que destacam o clima radical e competitivo do local. O espaço conta agora com infraestrutura moderna para atividades esportivas e de lazer na região contemplando crianças e adolescentes com momentos de diversão e alegria.
Saída da Ponte Pênsil – Avenida Getúlio Vargas
Na saída da Ponte Pênsil, um dos pontos turísticos mais emblemáticos de São Vicente, a intervenção artística contribui para qualificar a experiência urbana de moradores e visitantes. O mural oferece uma referência visual marcante logo na chegada ou saída da área central, integrando arte, turismo e mobilidade urbana.
O local, anteriormente percebido apenas como área de passagem, passa a desempenhar também uma função cultural, enriquecendo o percurso diário e turístico da cidade.
Parque da Juventude
No Parque da Juventude, a arte urbana surge de forma orgânica, conectada ao perfil do espaço. A intervenção foi realizada na pista de skate, ambiente fortemente associado à cultura urbana, ao esporte e à expressão artística.
O grafite dialoga com o universo dos jovens e skatistas que frequentam o parque, fortalecendo a identidade do espaço e incentivando sua ocupação saudável e contínua. A iniciativa contribui ainda para a redução de práticas indevidas, ao promover o uso ativo, cultural e esportivo da área.
Segundo o secretário Alexsandro Ferreira, o trabalho passou a ser desenvolvido de forma planejada e integrada às obras públicas. “Hoje, esse processo deixou de ser apenas espontâneo e passou a ser executado com método. A ideia é que as intervenções tragam a arte conjugada à urbanização, conectando cada espaço à sua história e à identidade cultural do local”, conclui.
História
O movimento artístico surgiu na década de 1970 em Nova York, especialmente no Bronx, impulsionado por jovens que usavam sprays para marcar territórios e protestar, integrando-se à cultura hip-hop. No Brasil, surgiu em São Paulo, durante a ditadura militar, com o pioneiro Alex Vallauri usando stencil para protestar contra a censura.
“Queremos não só entregar novos espaços, mas fortalecer a identidade e a cultura de cada local. É fazer com que cada vicentino que atravesse a Tupiniquins para ir trabalhar se sinta representado por elementos do Parque Xixová-Japuí. Que a população japonesa visite a Rua Japão e mantenha vivo o legado da cultura oriental para as futuras gerações. É proporcionar um espaço aconchegante para o skatista no Parque da Juventude. A gente quer São Vicente viva, cheia de alegria para o seu povo, e uma São Vicente que conquiste o coração de quem está a visitando”, destacou o prefeito Kayo Amado.
Por Nattan Frade Alves.