No centro cirúrgico do Hospital do Vicentino, um gesto simples pode transformar a experiência de crianças que passam por procedimentos cirúrgicos. Em vez de entrarem na sala de cirurgia em macas tradicionais, elas seguem o caminho “dirigindo” um carrinho elétrico, levando sorrisos e um pouco mais de tranquilidade para um momento que costuma ser cercado de ansiedade.
A iniciativa busca tornar a experiência mais leve e acolhedora, tanto para os pequenos pacientes quanto para suas famílias. O pequeno Ryan Vicente Pereira, de 4 anos, foi o primeiro paciente a vivenciar a novidade, na quinta-feira (19), ao passar por uma cirurgia de hérnia oblíqua.
A mãe, Williane Vicente, conta que a necessidade do procedimento foi identificada ainda nos primeiros meses de vida do menino, ao perceber uma pequena saliência acima do estômago.
“Desde quando ele nasceu, ele tinha uma espécie de bolinha acima do estômago. Fui procurar saber o que era. Fui à UBS Humaitá e a médica me orientou sobre a cirurgia que deveria ser feita, mas ele ainda estava muito novo. Quando ele fez 3 anos, levei novamente e ela disse que já podia encaminhar. Não demorou para marcar o procedimento; em menos de quatro meses já estava tudo agendado”, relatou.
Apesar da apreensão por se tratar da primeira cirurgia do filho, Williane se surpreendeu com a forma como tudo aconteceu.
“Fiquei muito preocupada por ser a primeira cirurgia dele. Mas, quando ele viu o carrinho e entrou, nem olhou para trás, não chorou. Fiquei até mais tranquila. Foi uma ação muito bacana, porque desvincula aquela imagem de estar em uma maca para fazer cirurgia. No fim, eu e ele ficamos mais tranquilos”, afirmou.
Moradora de São Vicente há 10 anos, após se mudar de Suzano, em São Paulo, ela também destacou o atendimento recebido na unidade. “Eu me surpreendi com o cuidado dos profissionais e com a rapidez para a cirurgia. Até mandei para minha irmã, que mora em São Paulo, a ação que fizeram aqui”, contou.
Ações de humanização - A idealizadora do projeto, Danielle Moysés, que atua há 20 anos em centro cirúrgico, explica que a ideia surgiu da preocupação constante com a humanização do atendimento, especialmente quando se trata de crianças.
“Quando falamos em humanização, ainda mais com crianças, penso em diminuir ao máximo o estresse que elas possam ter. Pensei em colocar o carrinho para amenizar esse momento. Agradeço o suporte de todos e, em especial, ao cirurgião pediátrico Dr. Solano, pelo apoio e por viabilizar a compra do carrinho”, destacou.
Além do transporte lúdico até a sala de cirurgia, Danielle também está à frente de outros projetos. Um deles é a entrega de certificados para todas as crianças que passam por procedimentos cirúrgicos, reconhecendo a bravura e a determinação demonstradas.
Outra iniciativa envolve o momento da anestesia. “Quando a criança vai fazer anestesia, ela é induzida por um gás, que tem um cheiro um pouco forte. Então, adquirimos essências para borrifar na máscara, deixando com cheirinho de melancia ou chiclete, por exemplo, para que a criança não sinta tanto o odor do gás anestésico”, explicou.
Para a secretária da Saúde, Michelle Santos, as iniciativas reforçam o compromisso com um atendimento cada vez mais acolhedor e humanizado: “Cuidar da saúde vai muito além do procedimento técnico. É olhar para cada paciente de forma integral, especialmente quando falamos de crianças, que precisam de sensibilidade e acolhimento. Ações como essa mostram que é possível tornar o ambiente hospitalar mais leve e tranquilo para as famílias”.
Por Guilherme Gebara