Desde criança, Rosa Maria já sabia qual seria o seu caminho. Brincava de escolinha com as amigas e, quando chegou ao ensino médio, não teve dúvidas: escolheu o magistério. Na época, ouviu questionamentos da família. “Mas você vai ser professora? É todo um sacrifício”, diziam.
Ela seguiu firme na decisão. No próximo dia 23 de março, completa 45 anos como professora da rede municipal de São Vicente, sendo a servidora mais antiga em atividade na Cidade.
Atualmente, leciona na UE União Cívica Feminina (Parque São Vicente), para turmas do 2º e 4º anos. Ao longo de sua trajetória, passou por diversas unidades, como Duque de Caxias, Jonas Rodrigues e Pastor Joaquim, além de ter atuado também na Educação de Jovens e Adultos (EJA).
“Aqui eu me sinto acolhida, eu me sinto família. Vivi muitas coisas boas, momentos marcantes ao lado de amigas e companheiras guerreiras”, conta.
A primeira escola em que ela lecionou foi a Duque de Caxias, onde encontrou uma grande referência: Dona Dilara, ex-diretora da unidade, e inspiração. “Aprendi muito com ela. Sei que ainda está viva, mas ela já deixou um legado muito importante na minha vida”.
Rigorosa, como lembra Rosa, foi com ela que aprendeu o que significava, de fato, ser educadora. “Ela nos ensinou o que é ser professora. Era difícil naquele tempo, ela era muito exigente, mas foi assim que aprendi”.
A disciplina e a dedicação marcaram sua trajetória. Além da rede municipal, Rosa também atuou por 20 anos na rede privada, mas decidiu permanecer exclusivamente no serviço público. “Deixei tudo para ficar só aqui”.
Após passar por diferentes escolas e pela EJA, onde atuou até cerca de dez anos atrás, ela segue firme na sala de aula.
Legado feminino
Durante a Semana da Mulher, ao refletir sobre sua trajetória e sobre as meninas e mulheres que ajudou a formar, Rosa se emociona.
“É muito gratificante. Hoje encontro ex-alunas casadas, já dei aula para os filhos delas. A emoção é enorme, principalmente quando vejo que se tornaram mulheres guerreiras, dedicadas, boas mães. Sinto que deixo um bom legado por onde passo”.
Após tantas décadas, o que a mantém em atividade é a certeza de que nasceu para ensinar. “Eu já tirei licença-prêmio para ficar um ano em casa, mas não consegui. Com seis meses me chamaram e eu voltei. Não me vejo parada”.
Para ela, o foco são os alunos. “No início do ano, as crianças até se assustam comigo. Eu não grito, não coloco de castigo. Eu só olho e converso muito. Quero que me lembrem com carinho. E é assim que acontece. Muitos ex-alunos me encontram anos depois e dizem: ‘A professora era brava, mas aprendi muito com você’”.
Nem todos os caminhos, porém, tiveram finais felizes. Ela também carrega a dor de ex-alunos que se perderam pelo caminho. Ainda assim, recebe o carinho das famílias e o reconhecimento da comunidade.
“Eu sou muito feliz por ser professora. Foi uma escolha. Eu gosto do que faço. Venho com prazer. Me sinto realizada”.
Aos profissionais que estão começando, Rosa deixa um conselho simples, mas profundo.
“Se não tiver boa vontade, carinho e consciência de que nosso papel é ser exemplo, não adianta. Tudo é feito com amor. É uma trajetória difícil, muito difícil. Mas é perseverança. Que sigam aqueles que realmente gostam. Hoje, poder fazer o que se ama é muito importante”.
Por Maria Fernanda Lopes