“Existem muitas mulheres que nem sabem que estão vivendo violência dentro de casa". A frase da escrivã de Polícia Gabriela Roiz do Carmo abriu, na manhã desta quarta-feira (11), a palestra sobre enfrentamento à violência doméstica, realizada na Praça Coronel Lopes, no Centro de São Vicente. A ação reuniu moradoras da Cidade para orientar sobre mecanismos para denúncia, medidas protetivas e fortalecimento da rede de apoio às vítimas.
A iniciativa foi fruto de uma parceria entre a Prefeitura de São Vicente, por meio da Supervisão de Políticas Públicas para a Mulher (Segov), e o Governo do Estado de São Paulo. A atividade integra a programação da Carreta de Empreendedorismo, que permanece na cidade até este sábado (14).
Gabriela, que atua há 11 anos na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Vicente, explicou como registrar o boletim de ocorrência, ressaltando que não é necessário apresentar marcas físicas para denunciar. Durante a palestra, também relembrou a história de Maria da Penha e reforçou que a denúncia é fundamental para interromper o ciclo de violência.
“Essas palestras servem para conscientizar sobre todos os crimes para os quais a mulher pode solicitar proteção, evitando que a situação evolua para algo ainda mais grave. Ela pode e deve procurar ajuda da polícia, de instituições e de ONGs especializadas”, destacou.
Também participou da ação Gisele Fiales, vítima de violência doméstica que ficou paraplégica após levar cinco tiros do ex-marido. Em seu depoimento, ela reforçou a importância da informação e do fortalecimento feminino.
“Essa iniciativa precisa se repetir muitas vezes, porque muitas mulheres deixam de se proteger por falta de conhecimento. A informação é essencial. As palestras precisam se espalhar para que os homens entendam que essa cultura antiga não é mais aceitável e que as mulheres se fortaleçam ao ver outras mulheres buscando proteção”, afirmou.
Roseli Figueira da Silva, 62 anos, moradora de São Vicente, também participou da atividade e ressaltou a necessidade de ampliar ações como essa.
“Eu acho que deveria ter um mutirão para reunir muito mais mulheres. A gente vê casos todos os dias na televisão. Muitas vezes a mulher denuncia e ainda se sente vulnerável. É preciso fortalecer as leis e ampliar a proteção”, comentou.
A ação reforça a importância da informação como ferramenta de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher, além de aproximar a rede de apoio das vítimas.
Por Maria Fernanda Lopes