A natureza pintada em tons de amor. A relação entre o artista plástico Joeliton Barros e São Vicente vai muito além da paisagem. É uma conexão construída ao longo de mais de duas décadas, marcada pelo afeto, pela admiração e pelo desejo de eternizar, em telas, a identidade e a evolução da primeira cidade do Brasil.
Desde 2001, quando iniciou sua trajetória artística, Joeliton Barros, hoje com 51 anos, já demonstrava o desejo de retratar a região. Mesmo antes de conquistar projeção, o artista costumava pintar pontos turísticos vicentinos, ainda que de forma discreta. Com o passar dos anos, São Vicente se consolidou como sua principal fonte de inspiração, refletida em obras que retratam monumentos, cartões-postais e espaços carregados de significado para a cidade.
O impulso mais recente surgiu em 2025, ao se deparar com o novo píer e a estátua de Pelé, seu maior ídolo. O encontro entre a obra urbana, a memória afetiva e a figura do Rei do Futebol transformou o momento em algo especial. “Eu senti que precisava registrar aquilo. Era o momento certo”, relembra o artista. O significado da pintura se intensificou quando Joeliton optou por manter a obra em São Vicente, abrindo mão de uma venda internacional para que o quadro permanecesse como parte do patrimônio cultural do Município.
Mais do que homenagens, o que também inspira o artista é a transformação urbana vivida pela cidade. A revitalização da Biquinha e a modernização dos espaços públicos reforçam, segundo ele, o crescimento e a renovação de São Vicente. “A cidade está se modernizando, e isso inspira quem vive e produz arte aqui”, afirma.
O processo criativo de Joeliton reflete essa relação com o território. As obras começam com registros fotográficos, seguem para a pintura em estúdio e se concluem no próprio local retratado, onde o artista finaliza detalhes observados ao vivo. Utilizando tinta acrílica sobre tela, cada trabalho leva, em média, duas semanas para ser concluído.
Ao longo da carreira, o artista já retratou diversos ícones vicentinos, como a Ilha Porchat, o teleférico, o Monumento dos Milionários, o píer e outros pontos emblemáticos. Todas as obras foram vendidas, reforçando o interesse do público e o valor simbólico das telas. Agora, Joeliton prepara novos trabalhos, incluindo o monumento do Coração dos Apaixonados, ampliando ainda mais esse acervo visual que traduz, em cores e formas, a alma vicentina.
Por Luis Gomes