Durante quase uma década, Tamires Gonçalves viveu em um relacionamento marcado por abusos que, no início, pareciam pequenos, mas que com o tempo se transformaram em uma rotina de violência psicológica, verbal e ameaças. Hoje, ela olha para trás com a certeza de que conseguiu recomeçar e atribui essa mudança ao apoio recebido após procurar ajuda.
“Eu estava no relacionamento já há quase 10 anos e foram quase todos de uma relação completamente abusiva. Só que no começo a gente não vê sinais, a gente se acomoda, acha que não é nada demais, que vai mudar a pessoa e o casamento não muda.”
A decisão de encerrar o relacionamento marcou o momento mais delicado. Segundo Tamires, foi a partir daí que as ameaças se intensificaram, com perseguições constantes e medo de algo mais grave acontecer. “Quando eu quis me separar realmente, começou a perseguição. Ele estava me ameaçando muito de morte porque ele não aceitava o fim do relacionamento.”
Sem enxergar saída, ela chegou a duvidar da eficácia das medidas legais e hesitou em buscar ajuda. Ainda assim, encontrou forças para agir, um passo que, segundo ela, foi decisivo para continuar viva. “Por mim, de coração, achava que não tinha saída. Que não valia de nada fazer medida protetiva. Tive coragem e fui atrás, se não tivesse feito isso, não estaria aqui hoje.”
Foi nesse processo que Tamires passou a ser acompanhada pelo Guardiã Maria da Penha, iniciativa da Guarda Civil Municipal (GCM) de São Vicente. O suporte constante oferecido pelo grupamento trouxe não apenas proteção, mas também acolhimento em um momento de reconstrução.
“Se eu precisar, eu posso entrar em contato, eu posso contar sempre com elas”, contou, ao destacar o acompanhamento próximo, com orientações e atenção à sua rotina e à segurança dos filhos.
Hoje, longe do relacionamento abusivo e com o ex-marido preso, Tamires afirma viver uma nova fase e faz questão de compartilhar sua história como forma de encorajar outras mulheres. Para ela, romper o silêncio foi o primeiro passo para mudar de vida.
“É um inferno viver um relacionamento abusivo, poder ser morta a qualquer momento. Tem sim que chamar a polícia.”
Guardiã Maria da Penha
Desde o início das atividades, em agosto, o Grupamento Guardiã Maria da Penha, da Guarda Civil Municipal (GCM) de São Vicente, acompanha sete mulheres em situação de violência doméstica. No período, foram registrados 21 atendimentos na sala do grupamento, 15 acompanhamentos na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e seis prisões em flagrante por descumprimento de medidas protetivas.
Também foram realizados oito abrigamentos temporários, quando a mulher é encaminhada a um local seguro para se proteger do agressor. O grupamento mantém parceria com abrigos municipais, o que permite que, em casos de flagrante ou risco imediato, as vagas sejam disponibilizadas de forma mais rápida para garantir a segurança das vítimas.
Mulheres que precisarem de apoio podem acionar a Guardiã Maria da Penha diretamente na sede da GCM, localizada na Av. Capitão-Mor Aguiar, 798, no Centro, de segunda a sexta das 09:00 as 17:00, emergencialmente pelo telefone 153 ou ainda procurar a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).