Visualmente grandiosas e com uma mensagem de sustentabilidade igualmente potente, três grandes esculturas sustentáveis marcaram a entrada da Encenação 2026 e chamaram a atenção do público logo na chegada ao espetáculo. Com quatro metros de altura cada, os ecomonumentos foram produzidos a partir de toneladas de pneus reciclados pelo artista Bruno, da Nhanderu Artes. A intervenção traduz, por meio da arte contemporânea, a valorização da cultura brasileira, dos povos originários, da fauna e das lendas indígenas.
As obras representam uma onça, um indígena e o Ipupiara, figura lendária profundamente enraizada no imaginário popular brasileiro. Os temas dialogam diretamente com a proposta do espetáculo, reforçando símbolos nacionais e a conexão entre história, natureza e identidade cultural.
O trabalho é assinado por um artista com mais de uma década de atuação no universo da Eco Art, cuja trajetória foi fortemente influenciada pelo reaproveitamento de materiais desde a infância. Neto de construtor, desenhista e escultor, Bruno cresceu imerso nesse universo criativo, e consolidou sua identidade artística a partir da união entre arte, sustentabilidade e cenografia. O contato com festivais e grandes produções, a partir dos 20 anos, foi determinante para o aprimoramento de técnicas e para a criação de coleções com materiais reciclados, que hoje circulam por diversos cantos do mundo.
“Já realizamos projetos em diversos estados brasileiros, assim como em países da Europa e da África. Agora, ao fazer parte desta Encenação, que dialoga diretamente com nossos valores de sustentabilidade e fortalecimento da cultura, encontro minha principal inspiração no desejo de deixar uma mensagem sobre a importância do vínculo entre a arte contemporânea e a sustentabilidade”, ressalta.
A participação na Encenação 2026 representa um marco em sua carreira e reforça a principal mensagem de seu trabalho: a urgência de repensar a relação entre arte, sustentabilidade e futuro. “Se não mudarmos a forma como interagimos com o mundo, entraremos em colapso. A arte precisa caminhar junto com a consciência ambiental para que ela continue existindo”, completa.
A relação com a Encenação teve início após um convite do produtor Júlio César Viana Morais, que conheceu o trabalho do artista por meio da cena da música eletrônica, da qual ambos fazem parte. Desde então, a conexão com São Vicente se fortaleceu, especialmente pela receptividade da população vicentina, que acolheu não apenas as obras, mas todo o processo de produção.
Júlio César compartilha o processo criativo para trazer os ecomonumentos para a edição deste ano. “A proposta foi trazer essa linguagem para a Encenação, conectando o físico e o digital como narrativa, alinhada ao tema O Chamado dos Elementos e ao caminho rumo aos 500 anos de São Vicente, pensando em uma cidade cada vez mais sustentável”.
“A partir disso surgiram os tótens criados pelo talentosíssimo artista Bruno Nhanderu Artes, que batizamos de Sentinelas do Tempo. São tótens feitos de pneus reciclados, com cerca de quatro metros de altura, trazendo animais de poder e figuras que representam o que precisamos preservar e lembrar da nossa história”, completa.
Encenação 2026
Realizada na Praia do Gonzaguinha de 21 a 24 de janeiro, a Encenação 2026 tocou corações recontando a chegada de Martim Afonso de Sousa à Vila de São Vicente, em 1532.
O evento foi incentivado via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com patrocínio de Brasil Terminal Portuário, GranServices, Grupo EcoRodovias e Sabesp. A iniciativa é uma realização da Associação dos Artistas e Prefeitura de São Vicente, com apoio da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo.
Por Luis Gomes