Mais do que aprendizado técnico, os cursos oferecidos pela Prefeitura de São Vicente, com apoio de voluntárias, têm promovido transformação na vida de mulheres do município. As capacitações unem autoestima, qualificação profissional e geração de renda, além de criarem uma rede de apoio entre as participantes.
Um dos exemplos é o curso de maquiagem ministrado pela voluntária Thais Góis, que atua há cerca de três anos na iniciativa. A proposta, que começou com foco no autocuidado, evoluiu para uma formação que também abre portas para o mercado de trabalho.
“A ideia surgiu através de um convite da nossa primeira-dama, Thaynã Amado, que é presidente do Fundo Social de Solidariedade aqui da nossa cidade. Ela sabe que eu dou este curso de automaquiagem, então ela me convidou para eu estar, de maneira voluntária, ministrando esse curso no Fundo Social, e eu prontamente aceitei, porque eu gosto muito do trabalho voluntário. O trabalho voluntário é algo enriquecedor para quem ministra o trabalho e também para quem recebe”, explicou.
Inicialmente, o curso era realizado em apenas um dia, com foco em técnicas básicas de automaquiagem e valorização da autoestima. Com o tempo, a formação foi ampliada.
“O curso mudou a perspectiva dele. No começo, ele era um dia de curso, apenas uma aula era ministrada para elas aprenderem a técnica de se automaquiar. Mas ele progrediu para um curso de maquiagem. De um dia, ele foi para três dias de curso e ali a aluna aprende um curso de maquiagem iniciante. Depois desses três dias de aprendizado de técnicas de maquiagem, ela já consegue fazer dinheiro, já consegue fazer uma maquiagem social em qualquer mulher”, destacou.
Ao longo das aulas, a transformação das alunas vai além da prática.
“Eu percebo muito a transformação dessas mulheres durante a aula, principalmente no primeiro dia de curso, que é onde elas aprendem a se automaquiar. Quando elas se automaquiam, elas conseguem realçar mais a beleza delas. Ou mulheres que se sentem feias começam a se sentir bonitas, começam a enxergar a beleza nelas. Porque a maquiagem tem esse poder de realçar a beleza, de trazer a autoestima para a mulher”, afirmou.
Segundo Thais, os impactos também aparecem na geração de renda e na vida profissional das participantes.
“Eu tenho vários relatos de alunas que começaram a iniciar na maquiagem. Algumas delas já trabalhavam na área da beleza, uma era manicure, a outra era design de sobrancelha. Então a maquiagem acrescentou mais um trabalho naquilo que elas já faziam. E relatos também de mulheres que estavam com autoestima baixa, que estavam em meio de uma depressão, e o curso levantou a autoestima delas”, contou.
Além das técnicas, o curso também busca incentivar o protagonismo feminino.
“A gente transmite muita motivação para que elas corram atrás dos sonhos delas, que elas corram atrás do que faz elas felizes. Não basta só ensinar, você tem que motivar também, motivar e ensinar o que elas vão fazer com aquele aprendizado”, ressaltou.
Para a voluntária, iniciativas como essa têm papel fundamental na construção da autonomia das mulheres.
“Esse curso tem um poder que muita gente não tem noção. A mulher aprende, se sente capaz, se sente segura. Isso dá autonomia. Muitas mulheres necessitam ter essa autonomia, e esse tipo de iniciativa tem uma relevância muito grande”, disse.
Ao todo, entre seis e oito turmas já passaram pela formação, com cerca de 10 a 12 alunas por grupo. Muitas delas já utilizam o aprendizado para complementar a renda.
“Depois do curso, algumas alunas já começam a maquiar, sim. Começam com amigas, primas. Algumas que já trabalham na área da beleza também já começam a gerar renda através da maquiagem. Inclusive, teve aluna que maquiou uma noiva. Isso é muito gratificante”, destacou.
Entre as histórias que mais marcaram, Thais relembra casos de superação emocional.
“Teve história de uma aluna que estava em uma depressão muito grande, e a maquiagem fez com que ela se enxergasse de novo como mulher, como alguém capaz, alguém viva. Você poder ajudar essa pessoa a se levantar é muito gratificante”, completou.
Com iniciativas como essa, São Vicente reforça o papel dos cursos gratuitos como ferramentas de transformação social, promovendo não apenas capacitação, mas também autoestima, independência financeira e fortalecimento entre mulheres.