Desde agosto, o Grupamento Guardiã Maria da Penha, da Guarda Civil Municipal (GCM) de São Vicente, acompanha mulheres em situação de violência doméstica, unindo proteção, acolhimento e orientação. Só em 2026, já foram registradas 150 fiscalizações e 78 atendimentos relacionados a medidas protetivas, além de 11 ocorrências de violência doméstica e três casos de descumprimento de medida judicial.
Os dados reforçam a atuação constante do grupamento, que já havia fechado 2025 com 42 atendimentos de medidas protetivas, 25 fiscalizações e registros de ocorrências como violência doméstica, ameaça e lesão corporal, além de ações preventivas e apoio a outros órgãos.
Mais do que números, o trabalho começa na escuta de quem procura ajuda, muitas vezes já no limite emocional.
“Quando uma mulher chega aqui procurando, é porque ela já não aguenta mais sofrer. Às vezes ela está decidida, só precisa de um apoio, de se fortalecer, de orientação. A gente acolhe, ouve tudo o que ela tem para falar e mostra que ela tem direitos, que consegue quebrar o ciclo da violência e que não está sozinha dentro da rede de apoio da cidade”, explica a GCM de 2ª classe Marcela Barbosa da Silva.
O atendimento não se restringe a quem já possui medida protetiva. Mulheres que ainda não registraram ocorrência também são acolhidas, orientadas e, quando necessário, acompanhadas até a delegacia. O grupamento também realiza encaminhamentos para serviços como o Centro de Referência de Assistência Social (CREAS) e orienta sobre benefícios que podem ajudar no recomeço, como o auxílio-aluguel.
Como funciona o atendimento
O acesso ao serviço pode acontecer de duas formas: espontaneamente, quando a mulher procura a sala de acolhimento, ou por meio do Ministério Público, que encaminha casos com medidas protetivas. A partir disso, a equipe passa a acompanhar a vítima de forma próxima e contínua.
“Ela pode chegar até a gente por conta própria ou por encaminhamento. Quando entra no programa, a gente passa a fazer rondas periódicas, liga, manda mensagem para saber se está tudo bem, se o agressor se aproximou, como está a segurança dela. E mesmo antes de ser inserida oficialmente, a gente acompanha informalmente, porque a proteção da mulher em vulnerabilidade é prioridade para a gente”, explica a GCM Maria do Carmo Peres.
Esse acompanhamento é feito com cautela, especialmente em regiões mais vulneráveis, para não expor ainda mais a vítima.
“A gente faz as rondas sem expor quem é a mulher assistida. A comunidade sabe que existe esse acompanhamento, mas não quem é, justamente para não trazer mais risco para ela”, completa.
Além do atendimento direto, o grupamento também atua na prevenção, com ações educativas em eventos, escolas e equipamentos sociais, orientando sobre os diferentes tipos de violência, que vão além da agressão física.
Para as agentes, o trabalho vai além da proteção imediata: é ajudar a interromper um ciclo que, muitas vezes, se repete.
“Não se calem. E isso não é só para a vítima, mas para quem vê acontecer. Um vizinho, um amigo, qualquer pessoa pode denunciar. A gente precisa acolher e fortalecer essa mulher para que ela consiga quebrar o ciclo da violência e não volte para o agressor”, reforça Marcela.
Denúncias podem ser feitas pelo 180, 190 ou diretamente à Guarda Civil Municipal.