O Centro de Educação de Jovens e Adultos de São Vicente (Cejain) realizou, na noite de quarta-feira (2), uma oficina voltada à equidade de gênero e à valorização do protagonismo feminino. A atividade reuniu mais de 50 alunos, com idades entre 15 e 60 anos, em um momento de diálogo, reflexão e troca de experiências, na última semana do Mês da Mulher.
Com o objetivo de promover a conscientização e incentivar a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, a oficina abordou avanços conquistados pelas mulheres ao longo dos anos e os desafios que ainda persistem. Entre os temas discutidos, estiveram a desigualdade salarial, o acesso limitado a cargos de liderança e a necessidade de ampliar políticas públicas de proteção às mulheres.
A iniciativa buscou fortalecer a consciência coletiva sobre a importância da igualdade de gênero, incentivando a construção ativa de relações mais respeitosas. Conduzido pelas professoras Luzinete Pereira Machado (Geografia) e Maria Adriana Fandino (Matemática), o encontro contou com momentos dinâmicos, incluindo música, bate-papo e atividades participativas, criando um ambiente acolhedor e atento às diferentes vivências dos participantes.
Para Luzinete, a escolha do tema surgiu da necessidade de discutir a realidade atual enfrentada por muitas mulheres. "Março é o mês da mulher, então achamos importante trabalhar essa temática. Devido ao que tem acontecido ultimamente, são tantas mulheres morrendo e sofrendo, que sentimos a necessidade de abordar esse assunto", destacou.
Maria Adriana, que apresentou exemplos inspiradores de mulheres que superaram desafios e conquistaram seus espaços, complementou as reflexões sobre violência, direitos e desigualdade no mercado de trabalho. "Na EJA (Educação de Jovens e Adultos), é comum pessoas correndo atrás do prejuízo, uma vez que não estudaram na época considerada ideal. Aqui, elas enxergam uma oportunidade de mudar de vida. Então, a gente precisa dar bons exemplos e mostrar que a educação é o caminho", afirmou.
A proposta, segundo as educadoras, foi a de motivar as alunas, independentemente da fase da vida em que se encontram. "Quando a gente mostra essas histórias, elas percebem que também podem. Muitas chegam aqui desmotivadas, com baixa autoestima, e a escola passa a ser esse espaço de incentivo, de acolhimento e de transformação", concluiu.
A coordenadora pedagógica da unidade, Cristiane Miguel, destacou que a discussão sobre a valorização feminina não deve ser restrita apenas às mulheres, mas abraçada por toda a sociedade. "Temos muitos homens que fizeram questão de participar e estão neste momento aqui conosco. É uma luta das mulheres, mas que os homens também precisam abraçar", explicou.
O diretor do Cejain, Gilmar Jerônimo, também falou sobre a importância das oficinas como momentos diferenciados de aprendizagem e integração entre os alunos. Segundo ele, o perfil do público atendido pela unidade exige estratégias que vão além do ensino tradicional.
"A escola não é apenas um espaço para ficar em sala de aula. Trabalhamos com sistema de atendimento individualizado, então esses momentos coletivos se tornam muito importantes", explicou. Gilmar ressaltou ainda que as oficinas proporcionam troca de experiências entre os estudantes, que já trazem significativa bagagem de vida.
De acordo com o diretor, a receptividade dos estudantes é positiva, e a avaliação realizada após cada oficina permite à equipe pedagógica aprimorar continuamente as atividades. "Eles aprendem sem perceber que estão aprendendo. Isso é muito válido para quem já tem experiência de vida. É um jeito diferente de trabalhar o conhecimento", concluiu.
Por - Renato Pirauá