As tranças são mais do que um estilo: representam orgulho, identidade e resistência do povo negro. Nesta terça-feira (24), a trancista Aldryn Barbosa, empreendedora do Tranças de Maria e integrante do Coletivo AfroTu, ministrou uma oficina no Brisamar Shopping, ensinando técnicas de trançado e cuidados com esse tipo de cabelo.
Durante o workshop, Aldryn apresentou, na prática, os conceitos utilizados na construção das tranças. O modelo demonstrado foi o nagô, penteado feito de forma rente ao couro cabeludo, que pode seguir linhas retas ou desenhos geométricos ao longo da cabeça. Segundo a trancista, esse estilo “é o mais complexo, por ter as mechas entrelaçadas entre si, mas é a base para todas as outras tranças”.
Ao final da atividade, os participantes receberam um kit contendo pente, gel, material informativo com o passo a passo do trançado e um livro de passatempos com temática da cultura negra.
Trancista
Aldryn atua no ramo das tranças há 18 anos. Em 2019, abriu o próprio salão, o “Tranças de Maria”, nome escolhido em homenagem à avó, responsável por ensiná-la a trançar.
“A autoestima do povo preto sempre existiu; o que sempre houve foi o preconceito racial em torno do cabelo. As tranças ficaram mais estruturadas com o uso de novos materiais, mas o empoderamento sempre foi passado de geração em geração, como aconteceu comigo”, explicou.
Carla Macedo, conselheira do COMPIR (Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial), também destacou a importância da temática. “As tranças, para além da estética, são expressão de identidade, resistência e ancestralidade negra, carregando saberes que atravessam gerações e territórios. Falar de cabelo é também falar de racismo, pertencimento e valorização da cultura negra — temas diretamente conectados à atuação do COMPIR.”
AfroTu
O Coletivo AfroTu reúne artesãos, artistas, designers e afroempreendedores, com a missão de valorizar a identidade afro-brasileira e fortalecer ações coletivas na Baixada Santista.
A fundadora do coletivo, Luciana da Cruz, comentou sobre o crescimento da visibilidade das pautas raciais. “A dimensão que o projeto está ganhando é muito significativa, porque estamos conseguindo transformar vidas. O recorte racial é central, mas também alcançamos outros públicos. O coletivo nasceu para combater a ideia de que o produto de pessoas negras vale menos. Hoje, quem está no AfroTu se reconhece como potência, preparado para o mercado e confiante no valor do seu trabalho.”
Festival da Mulher
A oficina de tranças integrou a quarta semana do Festival da Mulher, conjunto de atividades realizadas ao longo do mês de março com o objetivo de valorizar e capacitar as mulheres vicentinas.
O encerramento do Festival da Mulher será na sexta-feira (27), com a apresentação do grupo “Elas Cantam Samba”, no Brisamar Shopping (Rua Frei Gaspar, 365 – Centro).
Por Luan Guerato