No dia 12 de abril, é celebrado o Dia do Obstetra, especialidade essencial para garantir a saúde e o bem-estar da mulher durante a gestação, o parto e o pós-parto. Mais do que acompanhar o nascimento de bebês, a obstetrícia envolve acolhimento, escuta e cuidado contínuo em um dos momentos mais transformadores da vida.
A médica obstetra Maria Luísa Diaz Cunha David, servidora pública desde 2004, construiu sua trajetória com forte atuação na rede municipal de São Vicente, onde hoje está à frente da Diretoria da Saúde da Mulher. Com mais de 30 anos de formação e quase 25 anos dedicados exclusivamente à ginecologia e obstetrícia, ela destaca que sua escolha pela profissão nasceu ainda na infância: “Desde criança eu sonhava em ser médica para ajudar a trazer bebês ao mundo. Com o tempo, compreendi que a obstetrícia vai muito além do nascimento em si”.
Segundo ela, o significado da palavra obstetrícia traduz sua missão: estar ao lado da mulher. “Vem do latim obstare, que significa ‘estar ao lado’. É isso que me move: respeitar a fisiologia do parto, intervir apenas quando necessário e oferecer cuidado técnico aliado ao apoio físico e emocional”.
Atuação estratégica na saúde pública
Ao longo de mais de duas décadas no serviço público, Maria Luísa teve papel fundamental na estruturação da assistência à saúde da mulher no Município. Hoje, está à frente da Diretoria da Saúde da Mulher, onde lidera ações que ampliaram o acesso e a qualidade do atendimento.
Entre os principais destaques está a implantação e expansão do programa de inserção do Implanon, método contraceptivo de longa duração e alta eficácia. A iniciativa foi fortalecida com a realização de mutirões voltados para adolescentes de 15 a 17 anos residentes da Cidade, público estratégico na prevenção da gravidez precoce. Até o momento, já foram realizados sete mutirões, ampliando significativamente o acesso ao método.
A ação, somada à reestruturação do planejamento familiar nas unidades de saúde e às atividades de orientação nas escolas, contribuiu diretamente para um avanço importante: a redução da taxa de gravidez na adolescência para 9,7% em 2024, a primeira vez em nove anos que o índice atinge um dígito no Município.
Os resultados também se refletem no crescimento do número de inserções do Implanon, que aumentou mais de 40% entre 2023 e 2025, passando de 439 para 642 procedimentos. O programa atende, principalmente, mulheres em situação de vulnerabilidade, como adolescentes que já tiveram filhos, pessoas vivendo com HIV, mulheres em situação de rua e usuárias de drogas.
A diretoria também investe na capacitação contínua dos profissionais da rede, promovendo treinamentos e encontros sobre temas relevantes, como endometriose e câncer do colo do útero.
Experiências marcantes e evolução da medicina
Ao longo da carreira, diversos momentos marcaram sua trajetória, especialmente aqueles que envolvem superação. “Casos em que houve risco e, no final, tudo deu certo ficam para sempre na memória. Também me emocionam histórias de mulheres que enfrentam medos ou gestações delicadas e conseguem um desfecho positivo”.
A médica também acompanhou a evolução da obstetrícia ao longo dos anos. “A medicina está em constante transformação. Trabalhamos com verdades transitórias, baseadas em evidências científicas que evoluem com o tempo”.
Temas como humanização do parto e combate à violência obstétrica, segundo ela, são fundamentais para aprimorar a assistência e garantir mais respeito às mulheres.
Desafios no SUS
A obstetrícia ocupa papel central dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo responsável por uma assistência integral que vai do pré-natal ao pós-parto. Apesar da estrutura organizada em níveis de atenção, desafios ainda persistem.
“Um dos principais problemas é a dificuldade de acesso a vagas em maternidades de alto risco, o que pode colocar gestantes em situação de vulnerabilidade. Ainda assim, o SUS tem um impacto enorme na vida das mulheres, especialmente das que mais precisam”.
Mitos e informação como aliada
No consultório, Maria Luísa destaca que ainda há muitos mitos sobre gravidez e parto. Um dos mais comuns é a ideia de que o parto normal é mais perigoso que a cesariana. “Na maioria dos casos, o parto vaginal é seguro e traz benefícios para mãe e bebê. As indicações absolutas de cesárea são raras”.
Ela também reforça que práticas como alimentação e movimentação durante o trabalho de parto, quando bem orientadas, são seguras e podem contribuir para uma melhor evolução.
Orientação para uma gestação segura
Como orientação às gestantes, ela reforça a importância do pré-natal e de hábitos saudáveis. “A gestação não é uma doença, mas exige cuidado. Alimentação equilibrada, atividade física orientada e acompanhamento médico fazem toda a diferença”.
Por fim, Maria Luísa destaca o significado de sua trajetória na rede pública. “Acompanhar gerações, cuidar de mulheres e depois de seus filhos é algo que dá um sentido ainda mais profundo à minha profissão. É um ciclo de cuidado, confiança e transformação”.
Por Guilherme Gebara