No embalo do Dia Nacional do Livro Infantil, celebrado neste sábado (18), a escola integral AMEI Visconde de Sabugosa (Tancredo) dá destaque a um projeto que vem despertando novos talentos literários entre seus alunos.
Sob a condução da professora Cris Oliveira, do 5º ano, a proposta une leitura, escrita e contação de histórias, incentivando as crianças a explorarem a imaginação e a se reconhecerem como autoras de suas próprias narrativas.
Autora de livros infantis e apaixonada por histórias desde a infância, “Tia Cris” encontrou na própria trajetória a inspiração para levar a literatura para a sala de aula. “Eu sempre fui muito interessada em histórias por conta do meu pai. Ele lia muito e contava histórias da infância, da família. Então eu cresci ouvindo muitas histórias e sempre tive o desejo de contar e criar”, relembra.
A ideia de transformar alunos em criadores nasceu desse vínculo afetivo com a literatura. Os alunos são convidados a inventar, escrever e compartilhar histórias com outras turmas. Para a professora, o impacto vai muito além do aprendizado tradicional. “É um desenvolvimento total, porque mexe com a imaginação. Quanto mais eles leem, mais se tornam leitores, ampliam o vocabulário, a criatividade e conseguem se comunicar melhor. A escrita se torna muito mais fácil”, explica.
Mas é no campo das emoções e das memórias que o projeto ganha ainda mais força. “Não tem preço as crianças poderem contar as suas próprias criações e encontrarem seus livros na biblioteca da escola. Quando elas passam a compartilhar suas histórias, isso leva a uma memória extraordinária, que fica marcada para sempre”, afirma, emocionada.
A experiência também marca os alunos. A estudante Laura Carvalho, de 10 anos, resume o sentimento coletivo: “Foi muito legal, os outros alunos gostaram demais de nos ouvir contando histórias. Foi divertido entender e compartilhar”. Segundo ela, o momento mais especial foi a interação com outras crianças. “Eles ficaram muito felizes, e isso deixou a gente feliz também”.
O trabalho com a leitura, inclusive, é um compromisso permanente da unidade. Segundo a diretora Andrea Luz, “o trabalho de leitura deve ser diário dentro das escolas para que os alunos desenvolvam o prazer em ler diferentes gêneros literários, adquiram fluência leitora, ampliem o vocabulário e desenvolvam o pensamento crítico”.
Nesse contexto, ela ressalta a importância da data comemorativa: “O Dia Nacional do Livro é um marco desse trabalho. É um dia em que redobramos nossa atenção para as habilidades desenvolvidas, comemorando a conquista de cada aluno”.
Para a comunidade escolar, a data ganha um significado ainda mais especial. “Para nós que trabalhamos no Complexo Educacional Monteiro Lobato, é ainda mais significativo, porque nossa escola faz referência a esse grande escritor que se destacou na literatura infantojuvenil e é considerado precursor da literatura infantil no Brasil, com o sucesso das histórias do Sítio do Pica-Pau Amarelo”, destaca a diretora.
Ela também chama atenção para o papel da escola na formação cultural das novas gerações: “As crianças de hoje não conhecem, mas por meio da existência das nossas AMEIs do Complexo e do trabalho realizado aqui, elas podem ter contato com histórias tão importantes”.
O dia 18 de abril foi escolhido como o Dia Nacional do Livro Infantil por ser a data de nascimento do escritor Monteiro Lobato (1882-1948), considerado o "pai" da literatura infantil brasileira. A data oficializou-se pela Lei nº 10.402/02 em 2002, visando valorizar a produção literária voltada para crianças e homenagear o criador de personagens como Pedrinho, Narizinho, Emília e Visconde de Sabugosa.
Por Felipe Falcão