Diretora da ong Caiçara e representante do Movimento Girl Up no Brasil, a advogada Isabela Maria de Resende Cavalcante ministrou na tarde de sexta-feira (6) uma palestra sobre prevenção à violência contra a mulher, voltada a mães da comunidade escolar da Unidade Educacional Kelma Maria Tofetti (Humaitá). A atividade abordou direitos femininos, identificação de diferentes tipos de violência e orientações sobre canais de denúncia.
No encontro conduzido em formato de conversa, Isabela utilizou uma linguagem simples para facilitar o entendimento das participantes. Durante a atividade, ela explicou que a proposta era criar um espaço de diálogo para que as mães se sentissem mais à vontade para discutir o tema e esclarecer dúvidas.
Entre os principais pontos abordados estiveram os canais de denúncia disponíveis para mulheres em situação de violência, como o Ligue 180, o Disque 100 e o Conselho Tutelar, além da importância de reconhecer os primeiros sinais de agressão. Segundo a advogada, muitos casos de feminicídio são precedidos por outras formas de violência que nem sempre são identificadas pela vítima.
“Muitas pessoas acreditam que a violência só existe quando há agressão física, mas uma agressão verbal também é uma forma de violência, e a mulher está respaldada pela lei”, explicou.
Durante a palestra, Isabela ainda destacou que a informação é uma das principais ferramentas para evitar que situações de violência se agravem. Autista de grau 2, a advogada também atua em ações sociais e na orientação de mulheres por meio de projetos comunitários. “Quando a gente vê um caso de feminicídio, normalmente outras formas de violência já aconteceram antes. O objetivo é que a mulher consiga identificar esses sinais e buscar ajuda antes que a situação chegue a esse ponto”, alertou.
Outro tema abordado foi a dificuldade de identificar a violência psicológica, considerada uma das formas mais comuns de agressão. “É uma situação muito frequente, mas muitas vezes não é reconhecida pela própria mulher como violência”, destacou.
A advogada também explicou que o abuso sexual pode ocorrer mesmo dentro de relacionamentos estáveis. “A partir do momento em que a mulher diz não, é não. Independentemente se é casada, se namora ou se é solteira”, disse.
Segundo ela, esse tipo de esclarecimento costuma gerar surpresa entre o público, principalmente quando se discute o direito da mulher de recusar relações dentro do casamento.
Outro ponto destacado durante a conversa foi a importância da educação desde a infância para prevenir comportamentos misóginos no futuro. Para Isabela, discutir o tema com as famílias dentro do ambiente escolar contribui para a formação de relações mais respeitosas.
A diretora da UE, Raquel Borelli, ressaltou que iniciativas como essa fortalecem o vínculo entre a escola e a comunidade. Segundo ela, ao abrir espaço para discutir temas sociais relevantes, a escola também cumpre um papel de orientação e acolhimento das famílias.
Uma das mães presentes no encontro destacou que a iniciativa ajuda a ampliar o conhecimento sobre os direitos das mulheres e a importância de buscar ajuda em situações de violência.
Por - Renato Pirauá