A arte é parte primordial da formação humana e, como diria Pablo Picasso, “é a expressão da personalidade”. Em São Vicente, um dos principais expoentes é Leonardo Dantas, especialista em pictogramas que chegou recentemente à milésima obra.
O caminho não foi fácil: em 1993, Leo foi diagnosticado com Síndrome de Asperger, autismo de alto funcionamento, em que a inteligência é avançada, mas há desafios na parte emocional, social e na coordenação motora. Apesar disso, sempre teve o apoio familiar, em especial de sua mãe, Maria do Socorro.
“Eu sou o legado da minha mãe. Ela lutou muito por mim desde 1993, quando fui diagnosticado com a Síndrome de Asperger. Ela faleceu em outubro de 2010, mas nunca desistiu de mim. Ela me levou para diversas terapias, atividades e escolas. Ela acendeu a chama da arte em mim”, contou, emocionado, Leonardo.
Leonardo é especialista na arte de pictogramas, que são representações gráficas simples que utilizam imagens, ícones ou símbolos para transmitir informações, dados ou mensagens de forma visual, rápida e universal. “Às vezes, as pessoas não entendem traços puros, pois a legibilidade é menor. Quando uno figuras e letras, fica mais legível e mantém a característica da imagem”, afirmou.
Sua arte é considerada simples, mas intimista. “Eu não utilizo lápis, compasso ou régua. Utilizo apenas a caneta e a ‘força do olhar’ para direcionar os traços e fazer com que estejam de acordo com a figura proposta.”
“A inspiração chega por mim mesmo. Eu não me inspiro em figuras externas, na televisão ou em nada de fora; apenas no que vem da minha própria cabeça”, acrescentou o desenhista.
Orgulho vicentino
Leo é um cidadão vicentino ilustre e trata a cidade com muito orgulho. Foi de sua autoria o dossiê que trouxe a tocha olímpica para a cidade. “Inicialmente, o Comitê Rio 2016 queria que ela passasse apenas por Santos, mas eu defendi que São Vicente, como a primeira vila do Brasil e berço da democracia nas Américas, merecia recebê-la. Fiz questão que o trajeto passasse por bairros como o México 70, Cidade Náutica e Catiapoã, para que todos sentissem o espírito olímpico.”
Além disso, Leo também atuou na Encenação da Fundação da Vila de São Vicente de 2026. “Anunciei a chegada do rei João III, a chegada de Martim Afonso de Sousa e também a chegada da corte portuguesa. Tive a oportunidade de dar a espada para Martim Afonso, para que ele fosse conclamado capitão-mor da esquadra portuguesa. Graças a Deus, foi muito bom.”
Futuro
Para o futuro, Leonardo deseja fazer mais artes sobre famílias. Segundo ele, “a família é a base de todas as ferramentas para uma boa qualidade de vida”. Além disso, tem projetos para pictogramas baseados em grandes eventos esportivos, como os Jogos Olímpicos de Verão de Los Angeles, em 2028, e os Jogos de Inverno de Milão-Cortina, encerrados no último domingo (22), além dos Jogos da Juventude em Dakar e os Jogos Pan-Americanos.
Leonardo deixou um conselho não só para PCDs, mas para qualquer um que deseja entrar no ramo artístico: “O caminho da arte é difícil para qualquer pessoa, não só para PCDs. Mas nunca deixem de acreditar ou de sonhar. Vocês podem fazer teatro ou qualquer atividade artística de acordo com suas possibilidades. O mais importante não é apenas crescer na arte ou na cultura, mas crescer como ser humano e como cidadão”.
Por Luan Guerato