Falar sobre sexualidade, prevenção e saúde emocional ainda é, para muitas adolescentes, um território cercado de silêncios. Em São Vicente, esse ciclo começa a ser rompido dentro da escola. Nesta quinta-feira (25) a Unidade Educacional Professora Laura Filgueiras realizou o primeiro “Só Para Meninas”, no Espaço Ribeiro’s, um bate-papo conduzido por profissionais da saúde em alusão à Semana de Prevenção da Gravidez na Adolescência.
A iniciativa, fruto da parceria entre a Secretaria de Saúde (Sesau) e a Secretaria da Educação (Seduc), reuniu psicólogo, enfermeiro e agentes comunitárias para um momento de diálogo, orientação e escuta com as alunas. O objetivo foi promover informação segura, fortalecer a autoestima das adolescentes e incentivar escolhas conscientes, prevenindo a gravidez precoce e as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), além de abordar saúde mental e responsabilidade afetiva.
Mais do que uma palestra, o encontro se consolidou como um espaço protegido de conversa. Para a assistente de direção Selma Kamarauskas Secco, o impacto foi perceptível. “Ao analisar as dúvidas sanadas, percebo o quanto esse momento foi fundamental para as nossas meninas, gerando informação de qualidade”, destaca.
Durante a roda de conversa, os profissionais responderam perguntas diretas das estudantes, esclareceram mitos e apresentaram orientações embasadas tecnicamente. Eles destacaram que a gravidez na adolescência impacta não apenas a gestante, mas também a família e o desenvolvimento físico, educacional e socioeconômico da mãe e do bebê, podendo contribuir para a evasão escolar e gerar consequências emocionais, já que muitas jovens ainda não estão preparadas psicologicamente para uma gestação, especialmente quando não planejada.
A diretora da unidade, Denise Micene, avalia que a escola precisa assumir seu papel formador de maneira integral. “Cada informação compartilhada foi transmitida com responsabilidade, clareza e embasamento confiável, fortalecendo o conhecimento e promovendo reflexão. Acreditamos que a educação vai além dos conteúdos curriculares, ela também orienta, protege e prepara para a vida”, afirma.
Ela reforça que o significado do encontro ultrapassa o formato tradicional de palestra. “Talvez, para alguns, seja apenas uma palestra. Mas para elas, pode representar um divisor de águas e um impacto significativo no futuro”.
O reflexo da iniciativa já ecoa entre as próprias alunas. Thayrine Emanuelly da Silva Macedo, de 12 anos, descreveu o momento como marcante. “Foi uma experiência inesquecível que nunca vai sair da minha mente. Foi com gente estudada, não de internet. Foi muito legal e vai ser a primeira de muitas que ainda podem acontecer”.
Mirella Xavier, também de 12 anos, destacou o ambiente acolhedor. “Eu amei a palestra, foi uma experiência única. Me senti muito confortável lá só com as meninas. Eu amei ter essa conversa”.