A Supervisão de Políticas Públicas para Mulheres de São Vicente realizou, nesta sexta-feira (13), uma ação de conscientização em combate à violência contra a mulher na Praça Barão do Rio Branco, no Centro. A iniciativa contou com panfletagem, orientações à população e conversas com moradores sobre os tipos de violência e os canais de denúncia disponíveis. A atividade também contou com o apoio do projeto “OAB por Elas”, grupo de advogadas voluntárias que oferece orientação jurídica gratuita a mulheres vítimas de violência.
Durante a ação, foram distribuídos panfletos informativos e exibida uma faixa de conscientização com os principais canais de denúncia. A equipe também abordou moradores e motoristas no semáforo da região, em uma mobilização que ocorre em diversas cidades do Brasil. O objetivo foi ampliar o acesso à informação e reforçar que o Município possui uma rede de apoio disponível para acolher mulheres em situação de violência.
“Nós estamos informando a população que temos uma rede de apoio no Município. Essa mulher que é vítima de violência doméstica precisa entender, precisa estar conscientizada de que o Município possui essa rede de apoio, como a Delegacia da Mulher, como o convênio que a Prefeitura tem com a OAB por Elas, que é um grupo de advogadas voluntárias que oferece orientações jurídicas à mulher. Nós também estamos informando que é possível essa mulher fazer um boletim de ocorrência online. Estamos fomentando cada vez mais o 190, que é o telefone da Polícia Militar, se a mulher precisar de um atendimento pronto ali na hora em que estiver ocorrendo agressão. E também que existe o 180, que é um canal de denúncia onde ela pode ligar para se orientar e se informar sobre quais medidas adotar para romper esse tipo de violência”, explicou a supervisora de Políticas Públicas para Mulheres, Bruna Maria.
Segundo ela, muitas formas de violência ainda passam despercebidas pela população, o que reforça a importância de iniciativas educativas.
“É muito importante lembrar e salientar que não existe só a violência física. Existe a violência psicológica, que é conhecida como a violência emocional, a violência patrimonial, a violência sexual e a violência vicária. Numa ação como essa, a mulher consegue entender e, muitas vezes, identificar que está dentro de um relacionamento abusivo. É fundamental romper esse ciclo de violência antes que ocorra o feminicídio”.
A mobilização também busca ampliar a rede de apoio da própria comunidade, incentivando que mais pessoas se informem e ajudem a combater o crime.
“A população se orienta, se conscientiza e passa a ser uma rede de apoio. Se a mulher que passar aqui por nós hoje não estiver vivenciando esse momento tão difícil, ela pode orientar, informar e conscientizar uma amiga, uma familiar, uma vizinha. Assim ela multiplica o conhecimento que nós estamos deixando aqui hoje com todos os homens e mulheres que estão passando por nós”, ressaltou.
Atento aos dados alarmantes, Seu Carlos (morador da Cidade), destacou a importância da iniciativa.
“Eu tenho 84 anos, e nunca tinha visto um número tão alto de agressões e feminicídios. A ação é fundamental, tanto para mim, que tenho 84 anos, quanto para um adolescente e uma criança. É importante que a criança cresça entendendo que violência contra a mulher é crime, que ela cresça sabendo que pode ser rede de apoio e que pode combater isso desde a infância. Todos precisam seguir nessa luta”.
A supervisora reforça que o enfrentamento à violência contra a mulher depende da mobilização coletiva da sociedade.
“É muito importante que, nesse momento em que muitas mulheres estão morrendo vítimas de feminicídio, vítimas das agressões, todos nós, homens e mulheres, precisamos estar de mãos dadas na linha de frente do combate à violência contra a mulher. É muito importante orientar, informar e conscientizar a população vicentina sobre os principais tipos de violência e sobre os principais canais de denúncia”.
Violência contra a mulher no Brasil
Dados recentes mostram que a violência contra a mulher ainda é um problema grave no país. Em 2026, com base nos índices parciais disponíveis até março, os registros de feminicídio indicam um cenário crítico no País. O ano de 2025 registrou o maior número de feminicídios da última década, com 1.568 mulheres assassinadas por razões de gênero, representando um aumento de 4,7% em relação a 2024.
Outro levantamento aponta aumento na judicialização desses crimes. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informa que os julgamentos de feminicídio cresceram 17% no início de 2026, enquanto os processos relacionados a esse tipo de crime triplicaram nos últimos cinco anos.
Grande parte dessas violências ocorre dentro do ambiente doméstico, e é praticada por companheiros ou ex-companheiros, o que reforça a importância da denúncia e do apoio da sociedade para interromper ciclos de agressão.
Canais de denúncia
Mulheres em situação de violência ou qualquer pessoa que queira denunciar pode procurar ajuda pelos seguintes canais:
Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher (funciona 24 horas)
190 – Polícia Militar, em casos de emergência
Delegacias de Defesa da Mulher (DDM)
Em São Vicente, mulheres também podem buscar orientação jurídica gratuita por meio do projeto OAB por Elas, com atendimento às segundas e quintas-feiras, das 9h às 12h, na sede da OAB (Rua Professor José Gonçalves Paim, 145 – Parque Bitaru).
Por Julia Guedes Rodrigues de Lima