Nem sempre uma medalha conta apenas o resultado de uma luta. Às vezes, ela carrega anos de treino. Aos 16 anos, Giovanna Imhof acrescenta mais um capítulo consistente à própria trajetória: duas medalhas de ouro conquistadas no dia 18 de abril, nas eliminatórias do Nacional, resultado que a classificou para a fase final do Campeonato Brasileiro de Judô e consolidou um caminho iniciado ainda na infância, em São Vicente.
A conquista ganha ainda mais relevância pelo contexto. Hoje vivendo em Minas Gerais, a atleta participou pela primeira vez da competição e saiu com o melhor resultado possível. “Foi incrível, porque essa medalha me classificou para o Brasileiro fase final. Como me mudei para Minas agora, nunca tinha disputado essa competição. Saber que, logo na primeira vez, já me saí bem me deixa muito feliz”, contou.
Antes de cruzar estados e competir em novos circuitos, Giovanna construiu suas bases no litoral paulista. Foi em São Vicente que vestiu o kimono pela primeira vez, aos três anos, no Clube de Regatas Tumiaru, onde permaneceu por uma década. A escolha pelo judô, no início, não tinha grandes pretensões. Nasceu de uma inquietação comum da infância e de um encontro quase casual com o esporte. Com o tempo, porém, a rotina de treinos revelou algo maior.
A evolução não demorou a aparecer. Ainda jovem, passou a disputar campeonatos, destacando-se pela agilidade e leitura de luta. Hoje, soma dezenas de medalhas em torneios nacionais e internacionais.
O crescimento técnico veio acompanhado de experiências fora do país. Entre os momentos marcantes, Giovanna destaca competições internacionais, como a conquista de ouro na República Tcheca e a passagem pela Alemanha, onde também subiu ao pódio e participou de um intenso período de treinos. Para ela, o contato com diferentes estilos de luta tem papel direto na evolução. “São experiências inesquecíveis, porque a gente segura em kimonos de pessoas diferentes, em lugares diferentes. Isso ajuda muito na evolução”, explicou.
A decisão de seguir no esporte em nível profissional se desenhou naturalmente, especialmente após a mudança de academia e a sequência de bons resultados. Ao olhar para trás, a atleta reconhece o peso do processo. “É muito legal ver que tudo que estou trabalhando e construindo há alguns anos está dando certo”, afirmou.
Nos bastidores, a trajetória é acompanhada de perto pela família, que sempre incentivou a prática esportiva. A mãe, Fioramonte Imhof, que viu a filha dar os primeiros passos ainda criança, resume o sentimento: “Fico muito feliz. Que ela continue com foco e determinação”.
O presente já aponta para novos desafios. Nesta semana, Giovanna embarca para o Equador, onde disputa o Campeonato Pan-Americano, ampliando o calendário internacional e acumulando mais uma experiência importante na carreira.
Ao falar sobre o futuro, a jovem não esconde a ambição. “Espero estar realizada profissionalmente, ter conseguido algum título mundial e ser bem-sucedida não só no esporte, mas também na minha vida pessoal”, disse.
Mesmo com a rotina intensa fora do estado, São Vicente segue presente em sua trajetória. Mais do que ponto de partida, a cidade é uma referência afetiva e esportiva. Representá-la em competições, segundo Giovanna, tem um significado especial. “Acho muito legal, porque conseguir levar meu município para fora é muito gratificante. E também penso que posso incentivar outras crianças, assim como eu já fui, a praticar”, destacou.
No tatame, cada luta segue como um novo começo. Fora dele, os resultados já contam uma história que vai além das medalhas.