O Centro de Educação de Jovens e Adultos da Área Insular de São Vicente (Cejain) realizou, na noite de quarta-feira (29), mais um encontro formativo voltado a uma educação mais humana, acolhedora e consciente. Desta vez, o tema foi o bullying e seus impactos no ambiente escolar.
A iniciativa faz parte de um conjunto de ações voltadas à prevenção e ao fortalecimento dos vínculos dentro da escola.
A palestra foi conduzida pelo professor Danilo Rong, do Núcleo de Cultura de Paz e Não Violência da Secretaria de Educação de São Vicente (Seduc), que apresentou reflexões sobre o bullying como uma forma de violência física, psicológica e social.
Durante a apresentação, foi destacado que atitudes aparentemente simples podem deixar marcas profundas. “Palavras deixam marcas invisíveis, mas profundamente reais”, apontou Rong, ressaltando que experiências de violência podem impactar a saúde mental, gerando ansiedade, depressão, baixa autoestima e dificuldades nas relações sociais.
Outro ponto abordado foi o silêncio como consequência recorrente entre vítimas de bullying. “Quem sofre bullying aprende a se calar — e isso pode durar anos”, destacou o palestrante, ao tratar dos efeitos emocionais prolongados dessas vivências.
A palestra também trouxe as formas atuais de manifestação do bullying, como o cyberbullying (em ambientes virtuais), a exclusão social, a disseminação de rumores e as agressões verbais. Além disso, foi enfatizado que o problema ultrapassa os limites do ambiente escolar, podendo se estender ao longo da vida, inclusive em ambientes de trabalho e nas relações sociais.
Como estratégia de enfrentamento, foram apresentadas práticas baseadas na Comunicação Não Violenta (CNV), com destaque para a escuta ativa, a validação emocional, a empatia e o acolhimento como caminhos fundamentais para reconhecer e apoiar pessoas em situação de sofrimento.
Durante o encontro, relatos pessoais reforçaram a importância da iniciativa. A aluna Cristiane da Silva, de 37 anos, compartilhou uma vivência marcante de sua infância, evidenciando a necessidade de escuta e acolhimento nas instituições de ensino. “Eu falava com a diretora, com as professoras, mas elas não ficavam do nosso lado. Eu chorava muito. Isso ficou guardado em mim por muito tempo”, relatou.
A estudante também ressaltou o impacto do encontro ao revisitar essas experiências. “Mexeu comigo. Parei de estudar aos 15 anos porque sofria bullying onde eu estudava, em Alagoas. Na época, eu fiquei quietinha, querendo falar, mas ao mesmo tempo com medo. São coisas que a gente carrega”, afirmou.
Os depoimentos evidenciam a relevância de espaços institucionais que promovam a escuta, o respeito e o cuidado com os estudantes. De acordo com a coordenadora pedagógica Cristiane Miguel, o objetivo é ampliar o debate e dar visibilidade a questões que, muitas vezes, permanecem silenciadas. “São temas sensíveis, mas extremamente necessários. Nosso compromisso é promover momentos como esse, que contribuam para a formação integral dos estudantes e para a construção de um ambiente escolar mais acolhedor”, destacou.
Este foi o segundo momento formativo realizado ao longo do ano, com a proposta de abordar temáticas sensíveis e incentivar o diálogo entre os participantes, promovendo a reflexão sobre experiências vividas dentro e fora da escola.
Por Renato Pirauá