A cultura da prevenção de riscos climáticos (como alagamentos e deslizamentos), aliada à educação ambiental, foram temas centrais de uma Parada Pedagógica realizada nesta quarta-feira (29), em São Vicente. Promovido pela Secretaria de Educação de São Vicente (Seduc), o encontro aconteceu nas dependências do Parque Xixová-Japuí e reuniu cerca de 70 professores das áreas de Ciências e Geografia da rede municipal, divididos em turmas nos períodos da manhã e da tarde.
Voltada à formação continuada dos docentes, a iniciativa teve como foco a discussão de estratégias de reflexão e atuação diante de riscos ambientais, especialmente em áreas vulneráveis do município. A proposta é que esses conhecimentos sejam levados para a sala de aula, formando alunos capazes de atuar como multiplicadores de informação e conscientização em suas comunidades.
A assessora pedagógica do Núcleo de Educação Ambiental da Seduc, Vandilma Galindo, destacou que esse reencontro entre os professores possibilita refletir sobre as práticas pedagógicas, a troca de saberes e o compartilhamento de metodologias. “É também um espaço de formação continuada, essencial para o desenvolvimento do trabalho docente”, acrescentou Vandilma.
Segundo ela, o tema deste ano foi pensado a partir da realidade local. “Em tempos de emergência climática, trouxemos a educação ambiental e climática com um olhar especial para o município de São Vicente. A ideia é refletir sobre o nosso território para que os professores possam levar esse conhecimento aos alunos”.
A formação contou também com a participação da Defesa Civil, por meio da COMPDEC (Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil), que apresentou dados e orientações sobre prevenção de desastres. Celso Caj, que atua há 18 anos no monitoramento de encostas, reforçou a importância da conscientização desde cedo. “Buscamos sempre uma cidade sem ocorrências, mas é gratificante ver um jovem crescer com a mentalidade de não pensar somente em si, mas como cidadão preocupado, coletivamente, com os demais. Isso é algo maravilhoso”.
A secretária de Educação, Michelle Paraguai, ressaltou o papel da escola na construção dessa consciência coletiva e na relação com o território. “É uma emoção retomar esses momentos de formação com os professores. Mais do que participar de um encontro, é importante que a gente leve esse conhecimento para as famílias e para os nossos alunos. Essas questões fazem parte da nossa realidade, e estão literalmente à nossa porta”.
Michelle também destacou os impactos diretos das questões ambientais no cotidiano escolar. “O professor precisa estar preparado para lidar com essas situações e contribuir na formação de cidadãos conscientes”.
Entre os participantes, a professora de Geografia Vânia Menes, da UE José Meireles, destacou a pertinência do tema. “A gente mora numa região que sofre com essas questões relacionadas às variações climáticas. É muito importante ter um curso como esse”. Ela também ressaltou o valor das trocas entre os docentes: “Esses momentos são importantes para compartilhar experiências e informações que fazem diferença no nosso trabalho”.
A professora de Ciências Patrícia Fernandes, da UE Raul Rocha do Amaral, reforçou a importância do trabalho coletivo. “A gente discute um tema, mas, principalmente, compartilha ideias entre as disciplinas e pensa em como colocar isso em prática, considerando dificuldades, propostas e estratégias”.
Para ela, o encontro fortalece a atuação pedagógica. “É fundamental ter esses momentos, porque encontramos nossos pares, trocamos experiências e aprendemos com as vivências dos outros. É nesse coletivo que o trabalho acontece”.