Em muitas comunidades, a solidariedade nasce da necessidade e cresce por meio da união. Em São Vicente, essa realidade tem nome e rosto: Rosemeire Barros da Silva, conhecida por todos como Meire. Moradora da Vila Fátima, mãe solo, avó e liderança social, ela transformou a própria história de dificuldades em uma missão de cuidado com o próximo.
Há anos, Meire organiza campanhas solidárias, festas beneficentes e arrecadações voltadas principalmente para crianças carentes, mães atípicas e famílias em situação de vulnerabilidade. Às vésperas Dia das Mães, o trabalho ganha ainda mais significado ao acolher mulheres que muitas vezes enfrentam a maternidade sem rede de apoio.
“Me chamo Rosemeire Barros da Silva, mas sou conhecida como Meire. Tenho 53 anos, sou mãe solo de duas filhas e vó de cinco netos, dos quais crio quatro, um deles autista. Trabalho à noite na Rodoviária para, durante o dia, cuidar dos meus netos e das nossas ações”, conta.
A vontade de ajudar surgiu ainda na infância, ao lado do irmão Paulo Ricardo, conhecido como Top, já falecido. Os dois cresceram observando os esforços da mãe para sustentar a família.
“Minha história em ajudar ao próximo começa lá atrás. Quando pequena, eu e meu irmão víamos a dificuldade da nossa mãe em dar o máximo que conseguia para nós. Principalmente em datas comemorativas, era quando mais sentíamos. Minha mãe foi lavadeira e, muitas vezes, trocava seu trabalho por alimentos. Dentro de nós nasceu a promessa de que, quando crescêssemos, mudaríamos essa história.”
E a promessa foi cumprida. O que começou com cerca de 100 saquinhos de doces distribuídos no Dia das Crianças se transformou em uma grande corrente do bem.
“Com o passar do tempo, começamos no Dia das Crianças com aproximadamente 100 saquinhos de doces e, de lá pra cá, quase 35 anos depois, nossa festa foi crescendo com ajuda de amigos. Hoje, ela se tornou um evento na comunidade, que também agrega crianças de outros bairros.”
Com o tempo, a casa de Meire virou referência para quem precisa de apoio. Durante a pandemia, o trabalho social se ampliou ainda mais.
“De repente veio a pandemia e vimos a necessidade de ajudar além das festas. Começamos a realizar arrecadações de alimentos, roupas e também ações como Páscoa Solidária, Dia das Mães, sopão e festa de Natal.”
Mesmo diante de perdas profundas, Meire decidiu seguir em frente.
“No meio disso perdi minha mãe e, há seis anos, meu irmão, meu parceiro de vida. Pensei em parar, mas nossa promessa tinha se tornado uma missão.”
Hoje, a residência da família abriga o projeto Amigos do Bem Top, criado em homenagem ao irmão. No local, são recebidas doações e organizadas ações ao longo de todo o ano.
“Minha casa se tornou o projeto Amigos do Bem Top, onde não auxilio só em datas especiais, mas consigo, com ajuda de amigos e através de doações de todos os tipos, ajudar alguém da minha comunidade ou de qualquer lugar onde pedirem ajuda.”
Além das campanhas tradicionais, Meire também voltou o olhar para mães atípicas após se tornar avó de uma criança autista.
“No meio disso descobri ser avó de uma criança atípica e tento também, de alguma forma, ajudar essas mães, que muitas vezes não têm rede de apoio.”
Para ela, cada gesto de carinho representa transformação coletiva.
“Quando olho para trás, vejo que, mesmo com tanta dificuldade, conseguimos fazer a diferença para alguém. Isso não tem preço. Ser solidária hoje é um dos combustíveis que me faz ter força para prosseguir.”
Atualmente, Meire também atua como líder social formada e integra a rede Gerando Falcões, fortalecendo ainda mais sua atuação comunitária.
Ao falar sobre o Dia das Mães, ela reforça a importância de enxergar quem mais precisa de acolhimento.
“Muitas mães enfrentam tudo sozinhas. Às vezes, um presente simples, uma cesta ou uma palavra de carinho muda o dia dessa mulher e faz ela se sentir lembrada.”
E para quem deseja começar a ajudar, a mensagem é direta:
“Se você pensa em ajudar alguma instituição ou alguém perto de você, faça. Muitas das vezes você também está precisando fazer o bem. E tenha certeza: o amor ao próximo é mágico e transforma quem recebe e quem faz.”
Redes sociais do projeto Amigos do Bem Top:
Instagram: https://www.instagram.com/amigosdobemtop?igsh=Y29ib3Q2bzlyaHph
Facebook: https://www.facebook.com/share/1FteEzf2vc/?mibextid=wwXIfr
Por Julia Guedes Rodrigues de Lima