A abertura da programação do Maio Amarelo em São Vicente ganhou forma dentro da escola integral AMEI Rei Pelé (Samaritá) nesta quarta-feira (6), primeira unidade a receber o projeto Trânsito Itinerante. A iniciativa da Secretaria de Mobilidade Urbana transformou o espaço escolar em uma minicidade, com ruas sinalizadas, placas, faixas e referências a pontos conhecidos do município, criando um ambiente que aproxima as crianças da realidade do trânsito de forma acessível e envolvente.
Ao longo da manhã, os alunos percorreram o trajeto com bicicletas, atentos às orientações dos agentes e às regras de circulação. Com paradas obrigatórias, travessias e atenção à sinalização, a atividade combinou aprendizado e brincadeira, permitindo que os estudantes experimentassem, na prática, situações comuns do dia a dia nas ruas.
A aluna Lara, de 8 anos, se divertiu bastante com a atividade. “Gostei bastante, foi muito divertido estar em uma simulação de um trânsito de verdade”. O entusiasmo também apareceu na fala dos colegas. De acordo com Ryan, de 9 anos, “o sinal é bem realista, as multas também. Eu levei uma multa, aprendi onde errei e me diverti muito”.
A ação faz parte de um trabalho permanente desenvolvido pelo Departamento de Educação para o Trânsito da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), que atua ao longo de todo o ano com atividades em escolas, vias públicas e campanhas educativas. A proposta é atuar na formação desde cedo, criando uma base mais consciente para o futuro e contribuindo para a redução de comportamentos de risco.
Subcoordenadora do departamento de educação, a agente de trânsito Vanessa Godoi de Moura explica que o trabalho com crianças permite atuar na formação de comportamento de forma mais profunda e duradoura. “Quando se lida com as crianças, a gente está modificando a programação da sociedade em relação ao trânsito”, afirma. Segundo ela, esse processo tem impacto direto no futuro. “É só com uma atuação contínua, desde a infância, que a gente consegue um resultado duradouro, com redução de acidentes e mais respeito ao espaço coletivo”, completa.
A diretora da AMEI Rei Pelé, Regina Davino, destaca que a escola buscou participar da iniciativa assim que teve acesso ao projeto, reconhecendo a relevância do tema no cotidiano. “Hoje em dia a imprudência no trânsito mata muita gente, então é essencial começar esse trabalho pelas crianças”, diz. Para ela, a vivência prática fortalece o aprendizado. “Para eles é uma brincadeira séria, e isso fica muito mais marcado do que só falar sobre o assunto”, observa. Regina também chama atenção para o papel dos alunos dentro de casa. “Eles acabam sendo multiplicadores e até cobram os pais para fazerem o certo”, acrescenta.
Com muitas risadas, infrações simuladas e novas descobertas, a atividade seguiu como um retrato de como o aprendizado pode acontecer de forma leve e ao mesmo tempo significativo, ocupando o espaço da escola com experiências que dialogam diretamente com a vida cotidiana, enquanto os alunos deixam o circuito levando consigo não apenas a lembrança da brincadeira, mas noções que tendem a acompanhá-los nas ruas, nas escolhas e nas atitudes daqui para frente.
Por - Felipe Falcão