O sonho de trabalhar ajudando adolescentes acompanhou Edna Bonfim por muitos anos antes de virar profissão. Sem condições de pagar uma faculdade na época, ela precisou adiar os planos até os 37 anos, quando conseguiu ingressar no curso de serviço social. Hoje, prestes a completar 17 anos de carreira, teve a prova real daquilo em que sempre acreditou: a orientação também transforma vidas.
Nesta sexta-feira (15), é celebrado o Dia do Assistente Social, data que reconhece profissionais responsáveis por atuar diretamente na garantia de direitos, acolhimento e acompanhamento de famílias em situação de vulnerabilidade. Em São Vicente, histórias como a de Edna ajudam a retratar a dimensão humana da profissão. “Eu sempre tive vontade de trabalhar com jovens e adolescentes. Pensava muito em ajudar pessoas que precisavam de orientação, acolhimento e oportunidade”, comenta Edna.
Antes da formação, Edna trabalhava em uma rede de supermercados para conseguir desconto na mensalidade da faculdade. Mesmo assim, continuar estudando ainda era difícil. Quando passou em um concurso público municipal, precisou decidir entre permanecer no emprego que ajudava a custear os estudos ou ajudar em casa.
Foi nesse período que conseguiu uma bolsa integral da Fundação Dom Davi. A resposta veio justamente no dia do aniversário dela, em novembro. “Eu achei que teria que desistir da faculdade em vários momentos. Então, receber aquela ligação dizendo que eu tinha conseguido a bolsa foi inesquecível”.
A entrada no serviço social aconteceu no Centro Recreativo Educacional (CER) da Ponte Nova, no Quarentenário. Logo nos primeiros meses, Edna começou a desenvolver ações voltadas aos adolescentes atendidos pela unidade, aproximando os jovens da antiga Casa do Adolescente para atividades e conversas. “Ali eu percebi que, muitas vezes as pessoas só precisam conhecer os caminhos e os direitos que já existem para elas”.
Ao longo da carreira, ela também acompanhou famílias em diferentes regiões da Cidade, principalmente durante os anos de atuação nos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) da Vila Margarida e do Parque das Bandeiras. Entre os atendimentos que ficaram na memória de Edna, está o de uma moradora que voltou a encontrar o pai na Bahia depois de 30 anos.
Durante um atendimento, Edna explicou que idosos cadastrados em programas sociais tinham direito à gratuidade em passagens interestaduais. Até então, a mulher acreditava que nunca conseguiria fazer a viagem. “Quando ela voltou, disse que tinha nascido de novo. Foi uma situação que me marcou muito”.
Outras lembranças surgem em histórias aparentemente simples, mas que mudaram completamente a rotina de famílias acompanhadas pela assistência social. Mulheres que utilizaram programas de transferência de renda para investir em pequenos negócios, voltar a estudar ou gerar renda dentro de casa. “Às vezes, uma orientação muda tudo. A pessoa descobre um direito, uma possibilidade, um caminho que ela não conhecia”.
Edna afirma que a experiência nos equipamentos públicos ampliou a visão sobre o papel do assistente social dentro das políticas públicas. “O direito não chega sozinho. Se ninguém orientar, muita gente nem sabe que pode acessar determinados serviços. Esse continua sendo o nosso maior papel dentro da assistência social”.
Para acessar os serviços da assistência social em São Vicente, moradores podem procurar o CRAS mais próximo da residência. Os endereços e telefones das unidades estão disponíveis no site da Prefeitura: https://www.saovicente.sp.gov.br/institucional/equipamentos-publicos/assistencia-social.