Em meio à comemoração pelos três anos da banda marcial da AMEI Rei Pelé, na Área Continental de São Vicente, estudantes, professores e ex-alunos celebraram uma trajetória marcada por música, pertencimento e transformação. Criado nos primeiros anos de funcionamento da unidade, o projeto se consolidou como um dos símbolos da escola, fortalecendo vínculos e ampliando horizontes dentro e fora da sala de aula.
Idealizado pelo professor William Monteiro dos Santos, de 41 anos, o projeto começou em 2023 com uma proposta simples: aproximar os alunos da música e da cultura dentro da rotina escolar. Hoje, a banda reúne cerca de 80 estudantes dos terceiros, quartos e quintos anos, além de já ter participado de eventos municipais, inaugurações, festividades e homenagens oficiais.
“Quando iniciei o trabalho musical aqui na escola, em 2023, eu já vim com essa proposta de formar uma banda, porque já trabalho com música na rede há bastante tempo. Só que no começo tivemos dificuldades, principalmente com instrumentos. Então a gente correu atrás, reformou instrumentos, pegou doações, emprestados, e conseguimos começar”, relembra William.
A primeira apresentação aconteceu poucos meses depois, em uma festa junina realizada pela escola. Desde então, os estudantes passaram a participar de inaugurações, aniversários da Cidade, apresentações de fim de ano e até receberam homenagens na Câmara Municipal de São Vicente.
“Os alunos foram agraciados na Câmara Municipal com título de honra ao mérito. Cada um recebeu medalha, certificado, placa. São experiências que eles levam para vida”.
Além da musicalização, o professor explica que o projeto trabalha a disciplina, convivência coletiva e o desenvolvimento cognitivo. “A gente começa primeiro no lúdico. Não é pegando instrumento logo de cara. Trabalhamos ritmo, coordenação motora, percepção auditiva, entendimento da música. Depois começamos a perceber os talentos e encaixar cada criança nos instrumentos”.
Segundo ele, as mudanças comportamentais dos alunos são perceptíveis no dia a dia escolar. “A primeira coisa que a gente percebe é a disciplina. Tem regra, tem respeito, trabalho em conjunto. E isso vai para sala de aula também. A criança começa a criar amor pela escola, sentimento de pertencimento. Quando ela gosta daquele ambiente, ela se dedica mais”.
William também destaca a importância da cultura dentro da educação integral. “A música, a dança, o teatro. Tudo isso traz enriquecimento para eles. Às vezes a gente não consegue atingir um bairro inteiro, mas consegue semear em algumas crianças. E essas crianças podem virar músicos, professores ou cidadãos mais conscientes no futuro”.
A diretora da unidade, Regina Davino Rizzo, de 47 anos, reforça que a banda se tornou parte importante da identidade da escola. “A banda veio com uma proposta diferente de fazer essa formação integral realmente do aluno. E eles amam participar. A gente percebe desenvolvimento na comunicação, no respeito, na atenção e no trabalho em equipe. Não é só algo pedagógico, é algo pra vida”.
Ela explica que muitos estudantes encontram dentro da escola oportunidades que dificilmente teriam em outros espaços. “Muitos deles têm aqui a única oportunidade de participar de algo assim. Então a escola precisa promover isso, oficinas diferenciadas, integração, para que eles se desenvolvam e criem memórias positivas daqui”.
A AMEI Rei Pelé funciona em período integral e oferece diversas oficinas aos estudantes, como musicalização, Libras e educação ambiental. Para Regina, projetos como a banda ajudam a fortalecer os vínculos dos alunos com o ambiente escolar. “Hoje convidamos os ex-alunos, que foram os pioneiros da banda. E muitos falam da saudade que têm da escola justamente por causa dessas experiências”.
Entre os homenageados na celebração dos três anos da unidade estavam as ex-alunas Rillary Goulart e Lívia Pereira, ambas de 12 anos, que participaram da formação inicial da banda em 2023 e 2024. Durante o reencontro, elas relembraram o impacto que o projeto teve em suas vidas.
“Primeiramente, agradeço por terem lembrado da gente e convidado para essa homenagem. Achei muito legal porque durante esse tempo que a gente participou da banda, conheceu lugares novos e também criou o hábito de não ter timidez”, contou Rillary.
Lívia também destacou as experiências vividas dentro do projeto. “Quero agradecer a todos por lembrarem da gente. Esse momento da banda sempre chama a gente de volta. Foi um momento incrível, conhecer novas pessoas, lugares novos, brincadeiras”.
Durante a comemoração dos três anos da unidade, a apresentação da banda simbolizou justamente esse crescimento vivido pela escola desde sua inauguração. “Para mim é muito emocionante, porque estou aqui desde o começo. Ver o desenvolvimento dos estudantes e acompanhar esse crescimento é um privilégio muito grande”, afirma a diretora.
O professor William também vê a trajetória da banda como uma construção coletiva. “Eu não conseguiria fazer nada sozinho. Tem diretora, coordenadores, professores, assistentes. Muita gente envolvida. Na vida a gente tem um sonho, mas precisa de pessoas que embarquem nele para que aconteça. E aqui realmente acontece isso”.
Com instrumentos novos adquiridos neste ano e planos de ampliar as apresentações e integrar outros projetos musicais da rede municipal, a banda da AMEI Rei Pelé segue crescendo junto com a própria escola.
Por Julia Guedes Rodrigues de Lima