Mais do que assistência social, o Programa SuperAção tem ajudado famílias vicentinas a reconstruírem perspectivas e retomarem sonhos interrompidos pelas dificuldades do dia a dia. Desenvolvido pelo Governo do Estado em parceria com a Prefeitura de São Vicente, o projeto tem transformado a realidade de pessoas em situação de vulnerabilidade social, oferecendo acompanhamento social, acesso a direitos, cursos de qualificação e incentivo à autonomia financeira.
Uma das pessoas atendidas pelo programa é a moradora Claudizete Gabriel da Silva, de 53 anos, acompanhada pelo CRAS Jóquei. Entre emoções, lembranças e gratidão, ela conta que vivia um momento difícil antes de conhecer o projeto.
“Eu estava bem parada dentro de casa. Só enxergava a dificuldade financeira e a falta de força de vontade para seguir em frente”.
Ela relembra que quase desistiu de comparecer ao primeiro encontro do programa, mas decidiu participar da primeira reunião.
“Eu quase não fui nesse dia, mas um um sonho me disse: ‘vá, vá sim, porque não é o que você está pensando’. Aí eu vim”.
Foi nesse primeiro encontro que Claudizete conheceu a agente de SuperAção Fernanda Fernandes, que passou a acompanhá-la durante o programa.
“A Fernanda foi um incentivo pra mim. Ela buscava curso, mandava mensagem e fazia de tudo para me ajudar”.
Durante as conversas com a equipe, Claudizete contou que tinha vontade de aprender corte e costura, além de trabalhar com doces e artesanato. O problema era o custo dos cursos.
“Eu fui ver curso de corte e costura, e era R$250. Eu falei: ‘Gente, meu sonho não vai se concretizar’”.
No entanto, com apoio do programa, ela conseguiu vaga em uma capacitação gratuita, e hoje comemora as primeiras produções feitas por si mesma.
“Eu mostrei para a Fernanda a primeira peça de roupa que fiz. Para mim, isso está sendo maravilhoso”.
Além da realização pessoal, Claudizete enxerga na costura uma oportunidade de renda. “Já é um jeito de ganhar um dinheirinho. Fazer pano de prato, fazer peça pra vender. Pra quem está desempregada, isso ajuda muito.”
Ao longo do acompanhamento, Claudizete afirma que o programa também ajudou emocionalmente. “Esse projeto me tirou de dentro de casa. Tem muita gente que fica deprimida, oprimida, sem sair. Quando aparece uma oportunidade assim, muda a mente da gente”.
Empolgada com as novas possibilidades, ela já pensa em outros cursos oferecidos gratuitamente. “Agora eu quero fazer violão também. O rapaz falou pra mim: ‘não tem idade pra aprender’. E realmente não tem”.
A agente de SuperAção Fernanda Fernandes destaca que o trabalho desenvolvido vai além do atendimento social tradicional. “A gente está aqui para trazer informação e ser essa ponte entre a família e os direitos que ela tem acesso. Muitas vezes as pessoas nem sabem dos benefícios e serviços disponíveis”.
Ela explica que o programa funciona em etapas, começando pela garantia dos direitos básicos e avançando para a qualificação profissional e inclusão produtiva.
“Primeiro trabalhamos saúde, alimentação, moradia. Depois vêm os cursos e, por fim, a inclusão produtiva, seja através do empreendedorismo ou do mercado de trabalho”.
Ela também faz questão de ressaltar o empenho de Claudizete durante todo o processo. “Ela é incrível. Desde o primeiro dia, sempre foi muito participativa, empenhada e correndo atrás. A conquista é toda dela”.
“Se você tem um sonho, tem que buscar. Nunca pode desistir daquilo que quer. Hoje eu me sinto feliz, motivada e acreditando novamente em mim”, concluiu Claudizete.
SuperAção
O programa acompanha famílias inscritas no Cadastro Único e beneficiárias do Bolsa Família por até dois anos, oferecendo atendimento individualizado e fortalecimento social.
São Vicente foi uma das oito primeiras cidades do Estado contempladas, sendo a única da Baixada Santista selecionada na etapa inicial da iniciativa estadual, voltada ao combate à pobreza e fortalecimento da inclusão produtiva.
O atendimento acontece por meio de visitas domiciliares, onde agentes de SuperAção acompanham as famílias de forma personalizada, conectando os moradores a serviços públicos, benefícios sociais e oportunidades de desenvolvimento.
Por Julia Guedes Rodrigues de Lima